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Política

A elevação de voz de Eduardo Campos

A escalada de tom de Eduardo Campos contra o governo Dilma

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De onde eram ouvidas apenas críticas à “velha política do Brasil”, agora também saem declarações incisivas de que o “Brasil não aguenta mais quatro anos de Dilma”. Ao passo em que as eleições se aproximam, o pré-candidato do PSB à Presidência, o governador de Pernambuco Eduardo Campos, tem elevado o tom nas críticas dirigidas ao atual governo. As frases impessoais, voltadas principalmente para a estrutura política do país, permaneceram, mas agora estão acompanhadas por uma estratégia mais agressiva, com ataques diretos à atual presidente Dilma Rousseff (PT).

De acordo com o mestre em ciência política e professor do Centro Universitário do Distrito Federal Valdir Pucci, a mudança de postura de Eduardo Campos é natural. Para ele, o pré-candidato precisa firmar uma posição para se mostrar para o eleitorado que ainda não o conhece, sobretudo, a classe média das regiões Sul e Sudeste, onde, segundo Pucci, a presidente Dilma tem uma grande rejeição. “Eduardo busca se mostrar na direção desse eleitorado. Ele tenta se colocar como alternativa à insatisfação presente”, destaca.

Um dos canais utilizados por Eduardo para se posicionar contra a governo é sua página oficial no Facebook. Por meio dela, em dezembro do ano passado, ele criticou a ineficiência do governo federal em lidar com desastres naturais, como o ocorrido na época com as enchentes que atingiram o Espírito Santo. A maneira de execução dos programas sociais do governo, como o Bolsa Família, também foi alvo. Para o socialista, o governo federal “criou um programa e achou que o problema estava resolvido”, mesmo sem estabelecer metas ou fiscalizar de perto.

Já em janeiro, o alvo principal foi o mau momento econômico vivido pelo país. Durante evento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, nos Estados Unidos, o pré-candidato do PSB criticou a forma como o governo lidava com o controle da inflação, além de destacar que a gestão atual coloca em risco o acúmulo de democracia e estabilidade conquistados pelo governo Lula. “Eu vi o presidente Lula disputar o governo e acumular a democracia e a estabilidade como um ganho em uma sequência, na qual a gente cuida do que está errado e não desmancha aquilo que foi conquistado”,criticou.

No mês seguinte, começou a se desenhar uma postura mais incisiva diante de Dilma Rousseff. No lançamento do programa de diretrizes do plano de governo da aliança do PSB com a Rede, Eduardo aproveitou para criticar o “quadro de estagnação” presente na saúde e na educação. Ainda segundo ele, as mudanças realizadas pelo governo nos dois ministérios visavam apenas um arranjo eleitoral. Na mesma ocasião, Eduardo elevou o tom para dizer que ninguém no país acha que “mais quatro anos ‘do que está aí’ vai fazer bem ao povo brasileiro”. 

A economia também esteve presente nas declarações realizadas no mês passado. Para o pré-candidato do PSB, nada se alterou na realidade brasileira desde 2011. O socialista declarou também que o governo estava “festejando a mediocridade”, em vez de se preocupar com o cresciemento do Produto Interno Bruto (PIB) abaixo do esperado.

A mudança de postura gradual atingiu o ápice em março. Durante discurso em Nazaré da Mata, no último dia 8, Eduardo se referiu, pela primeira vez, nominalmente à presidente, dizendo que “o Brasil não aguenta mais quatro anos de Dilma”. Ele afirmou também que a presidente “não soube tocar o Brasil do jeito que o Brasil precisava ser tocado”, além de enfatizar que Dilma não respeita o diálogo democrático. 

Ainda na ocasião, o pré-candidato do PSB sugeriu que a presidente “não sabe de nada”, por achar que sabe de tudo e não ter sabedoria para aprender com o povo. Já no dia 16, em Surubim, o governador disse que o Brasil está derretendo na inflação e no populismo, e que a presidente está “entregando cargos como se estivesse distribuindo bananas ou laranjas”.

Na opinião de Valdir Pucci, mesmo com um potencial de crescimento plausível, a postura adotada pela pré-candidatura de Eduardo ainda não é suficiente para evitar a reeleição de Dilma. De acordo com ele, mesmo que a oposição à gestão atual se intensifique, o pré-candidato do PSB precisa de mais. “É importante que ele tenha um discurso que seja identificado pelo eleitor, por mais que atacar a Dilma surta efeito inicialmente”. Um ponto fundamental para a vantagem de Dilma é, segundo Pucci, o fato da presidente estar com a “máquina do Estado”. “Estar no poder é um bônus, mesmo com o risco de ser a ‘vidraça’. Para qualquer candidatura, a busca pela reeleição é muito mais fácil que a tentativa de derrotar quem está no governo”, enfatizou.

Fator Lula

Apesar de ser o padrinho eleitoral de Dilma, o ex-presidente é poupado das críticas de Eduardo. Em seus discursos, o pré-candidato do PSB destaca sistematicamente que Dilma não soube dar continuidade aos avanços obtidos durante os dois mandatos de Lula. Segundo o socialista, a presidente “não deu conta de melhorar o país”, após “receber o Brasil das mãos do presidente Lula”. Para Pucci, a estratégia de não deixar as críticas respingarem em Lula beneficia Eduardo na corrida eleitoral. “Lula é um ícone no imaginário político brasileiro. Bater em Lula seria como ir contra às conquistas obtidas por parte da população durante seu governo. Se colocar contra ele pode ser interpretado como uma postura contra essas conquistas”.

Conteúdo DP

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Pernambuco

Mais de 80% dos candidatos a vereador não têm curso superior

e um total de 19.693 postulantes a uma vaga nas câmaras municipais de Pernambuco, quase metade (8.682, ou 44,09% deles) têm somente o ensino médio completo.

Marcelo Passos

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Urnas eletrônicas - (Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters)

Urnas eletrônicas – (Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters)

Dos quase 20 mil candidatos a vereador em Pernambuco, apenas 18,45% (ou 3.364) têm ensino superior completo. E 77,62% nunca entraram numa universidade, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De um total de 19.693 postulantes a uma vaga nas câmaras municipais de Pernambuco, quase metade (8.682, ou 44,09% deles) têm somente o ensino médio completo. Há até mesmo um candidato que se declara analfabeto (o que configuraria inelegibilidade, segundo a Constituição).

Os que declaram apenas saber ler e escrever somam 3,49% das candidaturas (687 pessoas). Já os que afirmam ter ensino fundamental incompleto respondem por 13,82% dos candidatos (2.721). Os que completaram o fundamental representam a parcela de 11,33% (2.232), enquanto os que não concluíram o ensino médio são 4,88% (962). Os que chegaram a iniciar o ensino superior são 3,93% (774 candidatos).

Homem, casado, entre 40 a 44 anos, pardo e com ensino médio completo. De acordo com o TSE, este é o perfil médio dos candidatos. São mais de 2 mil a mais do que em 2016 (eram 17.918). O número de homens (13.129) candidatos é o dobro do de mulheres (6.564). Entretanto, houve um crescimento das candidaturas femininas em relação às últimas eleições municipais. Na ocasião,
eram 5.572 mulheres tentando o cargo de vereadora no estado.

Em relação ao estado civil, os candidatos casados são mais da metade (51,31%, ou 10.104), seguidos pelos que se declararam solteiros (39,24%, ou 7.728). Na faixa etária, que concentra candidatos entre 16 e 90 anos, o grupo entre 40 e 44 anos tem o maior número de representantes: são 3.296, respondendo por 16,74% das candidaturas.

Já no quesito cor/raça, o número de candidatos que se declaram brancos (34,57% ou 6.808), negros (11,03%, ou 2.172) e pardos (52,88%ou10.413), com mais de 98%, é a esmagadora maioria, ao contrário dos que dizem ser amarelos (0,29% ou 58), indígenas (0,61% ou 121) ou ainda sem informação (0,61% ou 121).

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Pernambuco

Elias Gomes desiste de candidatura para apoiar Keko do Armazém para prefeito do Cabo

O anúncio aconteceu na tarde desta terça-feira (20).

Marcos Philipe Passos

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Elias Gomes desiste de candidatura para apoiar Keko do Armazém para prefeito do Cabo.

Elias Gomes desiste de candidatura para apoiar Keko do Armazém para prefeito do Cabo.

A união da oposição contra o mandato de corrupção no Cabo de Santo Agostinho. Elias Gomes (MDB), da Frente Partidária Mudança Certa, desistiu da candidatura a prefeito do Cabo de Santo Agostinho para apoiar Keko do Armazém (PL). O anúncio aconteceu na tarde desta terça-feira pelo facebook oficial de Elias.

No pronunciamento, Elias Gomes afirma que no início da campanha procurou a bancada de candidatos opositores ao atual gestor para unirem forças, mas na época não foi viável. “Estou agindo no sentido de construir uma unidade na oposição, retiro a minha candidatura em favor da unidade da oposição e em favor ao povo do Cabo. Irei apoiar a candidatura de Keko do Armazém”, explicou.

Ainda no vídeo, ele pede que outros candidatos do Cabo de Santo Agostinho também tomem a mesma atitude. “Aí fica o meu apelo aos nossos eleitores, o meu agradecimento e que possamos construí na unidade a vitória do povo do Cabo e destruir a tirania que escraviza e humilha o nosso povo”, falou energicamente. Na chapa de Elias Gomes, o ex-prefeito Vado da Farmácia era candidato a vice-prefeito.

Em comício relâmpago no Centro do Cabo, Keko do Armazém agradeceu o apoio de Elias Gomes e exaltou que foi atitude de uma pessoa compromissada com a mudança da cidade. “Os cabenses não irão esquecer o que você fez hoje por eles, Elias. Você foi homem e cumpriu sua palavra de querer o melhor para o Cabo”.

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Política

E-Título passa a ter foto do eleitor e pode ser usado como documento oficial para votar

O objetivo é facilitar ainda mais a vida do eleitor no dia da votação. Outras mudanças foram feitas para oferecer maior proteção aos dados do usuário.

Marcos Philipe Passos

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E-Título pode ser usado como documento oficial no dia da votação. - (Foto: Reprodução/Gazeta do Povo)

E-Título pode ser usado como documento oficial no dia da votação. – (Foto: Reprodução/Gazeta do Povo)

O e-Título, aplicativo desenvolvido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que consiste na via digital do título eleitoral, passou recentemente por novas atualizações. A principal alteração é que o app passa a mostrar a foto do eleitor, permitindo que o cidadão apresente apenas o seu perfil no aplicativo para ingressar na seção eleitoral e votar. Tal funcionalidade está disponível somente para quem realizou o cadastramento biométrico.

O objetivo é facilitar ainda mais a vida do eleitor no dia da votação. Outras mudanças foram feitas para oferecer maior proteção aos dados do usuário – confira abaixo.

Baixe o app nas lojas on-line Google Play e App Store.

O Tribunal recomenda que os eleitores baixem o aplicativo com a maior antecedência possível ao dia das Eleições Municipais 2020, cujo primeiro turno acontecerá no dia 15 de novembro. Com mais tempo para utilizar a interface do aplicativo, o eleitor estará mais seguro e apto para usá-lo no dia da votação.

Mais segurança para os dados

O documento digital exigirá a resposta do eleitor a uma série de perguntas. Apenas as pessoas que responderem com sucesso a esse desafio poderão usar o aplicativo e suas funcionalidades. Embora soluções de segurança como essa possam tornar a experiência do usuário menos fluida, elas são relevantes para a proteção dos dados do eleitor.

Atualmente mais de dois milhões de eleitores já baixaram o e-Título, e cerca de 60 mil pessoas têm acessado o documento diariamente.

Além da emissão do documento em meio digital com foto, com as mudanças de segurança implementadas, há também a necessidade de criação de senha de acesso do eleitor ao app.

Entre outras vantagens, estão ainda as de emitir as certidões de quitação eleitoral e de crimes eleitorais, que estarão disponíveis ao eleitor a qualquer momento. O app também informa o endereço do local de votação e fornece informações sobre a situação eleitoral.

Justificativa de ausência

Os eleitores que estiverem fora do seu domicílio eleitoral no dia da eleição poderão utilizar o e-Título para justificar sua ausência, por meio da geolocalização do aplicativo. Essa funcionalidade estará disponível somente no dia da eleição, das 7h às 17h.

Para fazer a justificativa fora do dia da eleição, o eleitor poderá apresentar documento comprobatório que motivou a ausência (60 dias para justificar após cada pleito, ou 30 dias para justificar após retorno ao Brasil).

Nenhum dos serviços prestados pelo e-Título é exclusivo do aplicativo. Isso significa que as certidões também podem ser obtidas pelo computador ou junto ao cartório eleitoral. O app, no entanto, visa tornar esses e outros serviços mais ágeis, seguros e de mais fácil acesso por parte dos eleitores.

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