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A lei do silêncio em Pedrinhas: facções criminosas encobrem autoria de assassina

Delegado do 12º DP afirma que só 2 de 24 inquéritos de assassinatos Complexo Penitenciário foram solucionados

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A maioria dos assassinatos de presos no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, na Grande São Luís (MA) nunca foi desvendada. A Polícia Civil do Maranhão diz que a “lei do silêncio” imposta pelos chefes de facções confinados nas oito unidades de Pedrinhas impossibilita a solução dos casos. Além disso, os criminosos presos já têm conhecimento sobre como forjar cenas e danificar provas importantes para o inquérito. De acordo com o delegado Neuton Correa, titular do 12º Distrito Policial do Estado, que engloba a região de Pedrinhas e do Maracanã, apenas dois dos 24 inquéritos de assassinatos no complexo instaurados na delegacia tiveram autoria descoberta ao fim da investigação – apenas 8% do total. “Para colocar no papel, o preso fala uma coisa, mas fora do papel, fala outra. O preso teme pela vida dele e da família. O sistema penitenciário está muito caótico”, diz o delegado.

Quando ocorre uma morte em Pedrinhas, os detentos costumam ser encaminhados ao 12º DP, a delegacia mais próxima da penitenciária, que funciona num pequeno casebre à beira da BR-135, na entrada do Distrito Industrial de São Luís. A Delegacia de Homicídios e a Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) em casos de mortes mais graves e que envolvem vítimas com ascendência nas facções criminosas.

“Quando descobrem as mortes, eles [detentos] destroem todas as provas, lavam as mãos, os pés, passam escova nas unhas [para impossibilitar a colheita de material genético] e mandam todos tomarem banho”, diz o delegado. “O local do crime, que é o acervo do investigador e da perícia, fica todo bagunçado. O corpo é o único instrumento para investigar autoria.”

Presos que depuseram na 12º DP relataram ao delegado a presença de membros de seis facções em Pedrinhas. O Primeiro Comando do Maranhão (PCM), formado por criminosos do interior e mais organizado, tem proximidade com os detentos do Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e do Comando Vermelho do Pará. Os líderes do Bonde dos 40, quadrilha que comete crimes bárbaros na capital, ficam principalmente no Presídio São Luís, nas unidades I e II, associados às dissidências Bonde dos 300 e Anjos da Morte.

Desde que assumiu o 12º DP, em maio do ano passado, Correa diz que houve 45 mortes no Complexo de Pedrinhas, das quais 24 viraram inquéritos na delegacia. Os detentos cometem a maioria dos assassinatos, segundo policiais civis e militares, dentro das celas. De início, eles escondem o corpo e depois o arremessam para fora, em casos que não ocorrem durante rebelião.

 

“É uma violência sem freio”, diz o delegado. “Falta humanização nos presídios. O homem preso é pior que o animal, porque nós pensamos e direcionamos aquilo que queremos fazer.”

1º de janeiro – Um dos últimos crimes cometidos em Pedrinhas, após a Polícia Militar entrar no complexo, exemplifica o que os presos tentam fazer para encobrir um assassinato. Suposto integrante do PCM, o pedreiro Josivaldo Pinheiro Lindoso, de 20 anos, foi estrangulado até a morte por asfixia com um lençol dentro da cela 9 da Triagem do Centro de Detenção Provisória (CDP) – o “Cadeião do Diabo”. Eles atacaram quando a vítima dormiu. Lindoso havia sido transferido da cela 4, onde havia membros da facção Anjos da Morte, e passava a primeira noite ao lado dos detentos Cledeilson de Jesus Cunha, o Branquinho, Halison Pedrosa dos Santos, o Galego, Johny David Pereira Silva – os três do Bonde dos 40 – e por Joab Costa Almeida, um evangélico.

Os integrantes do Bonde dos 40 obrigaram Joab a assumir a autoria do crime e alegar que tomava remédio para tratamento psiquiátrico. Também obrigaram Joab a se ferir nos braços para aparentar que teria ocorrido uma luta corporal. O evangélico ajudou no estrangulamento – ou seria morto pelos demais. Joab ainda teve de ajudar a limpar o sangue da vítima no chão da cela, com camisas e calções. Isso porque Lindoso havia sido baleado recentemente e os ferimentos não estavam cicatrizados.

A Delegacia de Homicídios só conseguiu descobrir a farsa porque Joab se contradisse ao depor e decidiu contar a verdade. Os demais mantiveram a versão inventada no depoimento e se negaram a dar detalhes. Os quatro foram indiciados por homicídio duplamente qualificado – por motivo torpe e sem chance de defesa para a vítima. “Se voltar para lá, ele [Joab] vai morrer”, diz o delegado.

 

Força-tarefa – A superintendente da Polícia Civil da capital e região metropolitana de São Luís, Katherine Chaves, admite a dificuldade em solucionar os crimes dentro de Pedrinhas. No “Cadeião do Diabo”, como foi batizado pelos detentos, as celas chegam a reunir até trinta detentos. Ela explica que a quantidade de suspeitos é muito maior, o que atrasa a apuração. A delegada disse que os 62 assassinatos entre 2013 e o início deste ano em todo o Maranhão foram ou estão sendo investigados. “Nós montamos uma força tarefa com a Delegacia de Homicídios em Pedrinhas para concluir os inquéritos dos homicídios que ocorreram e dos que vierem a ocorrer”, afirmou Katherine.

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Cotidiano

Rede Globo cogita Ivete Sangalo para substituir Fausto Silva

Apresentador vai deixar a emissora até o final deste ano.

Redação PortalPE10

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(Foto: Reprodução)

Após o anúncio da saída de Fausto Silva da Rede Globo, de pois de 32 anos no ar, muitos nomes começaram a ser cotados para substituir o apresentador. De todos os nomes cogitados, o favorito seria o da cantora Ivete Sangalo. As informações são do colunista Fefito, do UOL.

A baiana já possui experiência no comando de atrações televisivas, como o programa Estação Globo. Ivete também foi jurada do The Voice Brasil.

Os outros nomes cogitados pela direção global são Xuxa Meneghel, Eliana e Marcos Mion. Nenhuma decisão foi tomada por enquanto porque a grade de programas da emissora para 2022 ainda não foi fechada.

Uma outra hipótese é que atrações jornalísticas e esportivas ganhem mais espaço aos domingos, tendo outros nomes para assumir a programação dominical.

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Brasil

Brasil está entre os 20 países que mais vacinaram contra a Covid

País já vacinou mais de 700 mil pessoas.

Redação PortalPE10

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(Foto: Aluísio Moreira/SEI)

Apesar da pandemia de Covid-19 forte, o Brasil segue avançando no combate à doença. E até esta terça-feira (26), o país já vacinou mais de 800 mil pessoas contra a doença, o que coloca o Brasil entre os 20 países do mundo que mais imunizaram sua população.

De acordo com dados divulgados pela Universidade de Oxford, o Brasil se encontra em 16º lugar na lista.

Até o momento, o Brasil já vacinou cerca de 0,33% da população. A vacinação no país começou no dia 18.

*Com informações Pleno.News

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Brasil

São Paulo confirma três casos de variante da Covid vinda do Amazonas

Nova cepa do vírus surgiu em Manaus em dezembro e vem se disseminando rapidamente pela capital amazonense.

Redação PortalPE10

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Com 48 horas de infecção, células começam a apresentar prolongamento que pode contribuir com o avanço da Covid; em azul, as partículas virais — Foto: LMMV/IOC/Fiocruz, LVRS/IOC/Fiocruz e Nulam/Inmetro

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo confirmou, na terça-feira (26), três casos importados de Covid-19 no Estado causados pela nova variante brasileira do coronavírus, identificada pela primeira vez no Amazonas e que vem sendo apontada como uma das razões para a explosão de casos da doença em Manaus.

Esses são os primeiros registros da nova variante fora do Amazonas. De acordo com a secretaria, a confirmação foi feita por meio de sequenciamento genético feito no Laboratório Estratégico do Instituto Adolfo Lutz, que é referência nacional e vinculado à pasta estadual.

– O vírus foi sequenciado a partir de amostras com resultados positivos de exames processados pelo Centro de Virologia de três pessoas que tiveram Covid-19 e passaram por atendimento em serviços da rede pública de saúde em São Paulo, com histórico de viagem ou residência em Manaus – disse a pasta, em nota.

Segundo estudos feitos por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e Fiocruz Amazonas, a cepa teria surgido em Manaus em dezembro e vem se disseminando com rapidez na capital amazonense. A variante, chamada de P.1, tem mutações importantes na proteína spike, responsável por permitir a entrada do patógeno nas células humanas.

A P.1 é derivada de uma das variantes predominantes no país, a B 1.1.28. É provável que ela tenha maior poder de transmissão por causa da mutação N501Y, presente também nas variantes identificadas no Reino Unido e na África do Sul.

– Essas mutações poderiam estar associadas a um maior potencial de transmissão, apesar de ainda não haver comprovação científica de que esta variante seja mais virulenta ou transmissível em comparação a outras previamente identificadas – informou a secretaria.

Outra mutação que causa preocupação é a E484K, já associada em estudos a um potencial de escapar de anticorpos, o que pode favorecer reinfecções e até afetar a eficácia de vacinas. Novas pesquisas estão sendo feitas para determinar se a variante brasileira e as demais são mais contagiosas, letais ou se afetariam o desempenho dos imunizantes.

Os sequenciamentos realizados pelo Lutz foram depositados no banco de dados online e mundial Gisaid (Iniciativa Global de Compartilhamento de Todos os Dados sobre Influenza). De acordo com a secretaria, eles têm alta qualidade e confiabilidade, correspondendo a 99,9% do genoma do vírus.

*Com informações Estadão.

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