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Ataque com arma branca deixa dois feridos perto da antiga sede do Charlie Hebdo em Paris

Quase seis anos após o atentado ao Charlie Hebdo, um ataque com arma branca deixou dois feridos nesta sexta-feira (25) perto da antiga sede do semanário satírico em Paris

Lucas Passos

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© Alain JOCARD   Bombeiros carregam ferido perto da antiga sede da revista satírica Charlie Hebdo após ataque com faca em Paris, em 25 de setembro de 2020

Quase seis anos após o atentado ao Charlie Hebdo, um ataque com arma branca deixou dois feridos nesta sexta-feira (25) perto da antiga sede do semanário satírico em Paris. Um “suspeito” foi rapidamente preso pela polícia e uma segunda pessoa foi posteriormente detida.

A promotoria antiterrorista francesa anunciou que assumirá a investigação, aberta por “tentativa de homicídio vinculada a um ato terrorista” e “associação criminosa terrorista”.

Os dois feridos trabalham para uma produtora, a Premières Lignes, e “não correm risco de morte”, informou o primeiro-ministro Jean Castex, que chegou ao local do ataque no início da tarde.

“É tão trágico ver novamente as imagens de um ataque na (rua) Nicolas Appert, cinco anos e meio depois daquele contra Charlie. Essa violência é um perigo para todos nós, na França e em outros lugares”, reagiu no Twitter o secretário-geral da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Christophe Deloire.

© Viken KANTARCI   Duas pessoas ficaram feridas nesta sexta-feira durante um ataque com arma branca perto da antiga sede da revista de sátiras Charlie Hebdo, em Paris. O suposto agressor foi detido.

Jean Castex expressou o “compromisso inabalável” do governo “com a liberdade de imprensa e sua vontade resoluta de lutar contra o terrorismo”.

– Principal autor detido –

A redação do Charlie Hebdo, instalada em local mantido em segredo e sob alta proteção desde o ataque islamita que dizimou sua equipe, expressou no Twitter “seu apoio e solidariedade aos ex-vizinhos e companheiros da PLTVfilms e às pessoas afetadas por esse ataque odioso”.

© Geoffroy van der Hasselt   Um soldado e dois agentes da polícia perto do local de ataque

“O autor principal foi preso e encontra-se sob custódia policial”, explicou o procurador de Paris, Rémy Heitz, presente no local.

Ele não revelou mais detalhes sobre sua identidade ou motivação, acrescentando que uma segunda pessoa foi presa para verificar suas “relações com o autor principal”.

O principal suspeito foi preso na Place de la Bastille, perto do local de ataque, segundo a sede da polícia.

A rua Nicolas Appert, onde ficava a revista satírica, está bloqueada, com policiais armados posicionados no local.

“Dois colegas fumavam um cigarro perto da entrada do prédio, na rua. Eu ouvi gritos. Fui até a janela e vi um dos meus colegas, manchado de sangue, sendo perseguido por um homem com um facão na rua”, testemunhou um funcionário da Agence Premières Lignes, que tem sede na rua.

“Por volta do meio-dia saímos para almoçar num restaurante. Quando chegamos, a dona começou a gritar ‘corram, corram’, tem um atentado… A gente correu e se escondeu dentro da nossa loja com quatro clientes”, contou à AFP Hassani Erwan, de 23 anos, um cabeleireiro.

“Extremamente chocado com o atentado assassino perto das antigas instalações do #CharlieHebdo, em um bairro de Paris que já pagou um alto preço pela violência terrorista”, reagiu no Twitter a presidente da região Île-de-France, Valérie Pécresse.

– Ameaças recentes –

O ataque ocorre em um momento em que a equipe do Charlie Hebdo é alvo de novas ameaças desde que republicou as charges Maomé em 2 de setembro, por ocasião da abertura do julgamento, programado até 10 de novembro, dos ataques de janeiro de 2015.

Após uma breve suspensão do julgamento, a audiência desta sexta-feira foi retomada sem qualquer menção pelo Tribunal Especial de Paris sobre este ataque, de acordo com um jornalista da AFP.

No início da semana, a diretora de recursos humanos do Charlie Hebdo, Marika Bret, precisou deixar sua casa por causa de ameaças consideradas graves.

Após as ameaças, o ministro do Interior, Gerald Darmanin, pediu a “reavaliação das ameaças que pesam sobre jornalistas e colaboradores do Charlie Hebdo”.

Uma centena de meios de comunicação (jornais, revistas, canais de televisão e estações de rádio) publicaram uma carta aberta na quarta-feira pedindo aos franceses que se mobilizem em favor da liberdade de expressão.

Em 7 de janeiro de 2015, os irmãos Said e Cherif Kouachi atacaram a redação do Charlie Hebdo, matando 12 pessoas, incluindo os famosos cartunistas Cabu e Wolinski, antes de fugirem.

Sua jornada assassina terminou em uma gráfica em Dammartin-en-Goële, no subúrbio parisiense, onde se refugiaram antes de serem mortos pelo GIGN, o grupo de intervenção da gendarmaria francesa.


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Cotidiano

Três visões sobre o presente e o futuro do Pantanal

Para entender como é possível prevenir novos desastres, a AFP ouviu três pessoas que atuam na região: um produtor agropecuário, um representante de uma ONG e uma acadêmica especialista em áreas alagáveis

Lucas Passos

Publicado

© Mauro PIMENTEL   Vista área de área incendiada no Pantanal

Entre janeiro e agosto de 2020, incêndios que saíram de controle devastaram mais de 12% do Pantanal, a maior área úmida tropical do planeta e o bioma brasileiro proporcionalmente mais preservado, localizado ao sul da Amazônia.

Para entender como é possível prevenir novos desastres, a AFP ouviu três pessoas que atuam na região: um produtor agropecuário, um representante de uma ONG e uma acadêmica especialista em áreas alagáveis.

© Mauro PIMENTEL   Voluntário combate incêndio no Pantanal, em 13 de setembro de 2020

Os três participaram na semana passada de uma reunião entre moradores, legisladores e autoridades perto de Poconé (Mato Grosso). Uma iniciativa de convivência nem sempre fácil, em um momento em que o posicionamento do presidente Jair Bolsonaro em favor da abertura de áreas protegidas para atividades agropecuárias é criticado dentro e fora do Brasil.

© Carlos FABAL   O Pantanal vem sendo destruído pelo fogo. A AFP ouviu pessoas envolvidas com o presente e o futuro da regiãoe que tem visões opostas: um produtor agrícola, um representante de ONG e uma especialista em áreas inundáveis.

– Mais liberdade para o ‘homem pantaneiro’ –

Para João Gaiva, agrônomo e pecuarista em Mato Grosso, os incêndios acontecem, porque “engessaram o homem pantaneiro: não deixam que ele limpe a terra, com a ideia de que tirar o homem daqui é a solução”.

“Tirando a gente daqui, a grama não para de crescer e se não houver animais para pastar, o fogo vai consumi-la”, afirma.

“O homem pantaneiro é o guardião do Pantanal. Ele sempre viveu e produziu aqui, ele é a grande solução, podemos produzir animais com um selo de origem de qualidade”, diz Gaiva, que defende dois projetos polêmicos por seus impactos ambientais: a instalação de um hidrovia do rio Paraguai-Paraná e a pavimentação da rota Transpantanera para reduzir os custos de produção e transporte nesta área de difícil acesso.

“Precisamos produzir alimentos bons e baratos. A solução é dar mais liberdade ao homem pantaneiro, para que o bioma seja administrado de forma sustentável. Não adianta bloquear uma parte da terra e transformá-la em reserva legal, que se torna um abismo, uma bomba-relógio”, critica.

“O fogo sempre existiu e continuará existindo”, defende. “Isso não é drama”, diz ele sobre os incêndios.

“Ele veio para nos mostrar que o caminho certo é a presença do homem aqui”, defende.

– Debater sem radicalismos –

Leonardo Gomes é diretor de relações institucionais do Instituto SOS Pantanal, ONG que promove o diálogo e diversos projetos no bioma.

“O manejo do fogo no Pantanal é algo cultural. O homem pantaneiro aprendeu a usar o fogo, seja para renovar o solo, ou para iniciar um novo plantio para o gado. O que precisamos entender é como fazer esse manejo corretamente”, explica à AFP.

“É preciso assessorar os produtores, não se trata de apontar para eles, ou culpá-los”, acrescenta Gomes, que não acredita que afrouxar a regulamentação ambiental seja a solução e propõe discutir comunitariamente o manejo do fogo.

Ele destaca a necessidade de prevenir os incêndios ilegais (realizados sem autorização, ou nos momentos em que são expressamente proibidos) e montar brigadas comunitárias de resposta rápida para combater os focos quando eles surgirem.

“O bioma Pantanal está tão bem conservado porque esses atores locais aprenderam a conviver. Em um momento de radicalismo como o que estamos vivendo, precisamos sentar e debater”, defende.

“Não se trata de limitar a produção, mas de estimular atividades econômicas que respeitem o meio ambiente”, sugere.

– Aliar economia e conservação –

Catia Nunes da Cunha, pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas, concorda que não é possível culpar um grupo específico pelos incêndios, mas que o fogo não pode ser atribuído apenas a causas naturais.

Fatores humanos se somam ao atual ciclo de seca extrema na região, como o manejo descuidado de algumas queimadas, ou a degradação da região onde se localizam as nascentes dos rios que banham o Pantanal.

“Está acontecendo muito desmatamento lá, e isso afeta a disponibilidade de água aqui”, explica.

Para a ambientalista, é preciso entender que a resposta está no equilíbrio: “Não se trata de tirar o homem daqui nem de favorecê-lo modificando o sistema [natural]. É preciso trabalhar em harmonia” e respeitar os limites do meio ambiente.

“É necessária uma gestão sensata. Não se pode tentar aumentar a produtividade da pesca e da pecuária sem limites. Se esses limites forem ultrapassados, o sistema se altera, e não podemos fazer isso com o Pantanal”, alerta.

“É um ecossistema caracterizado pela exuberância”, com enorme potencial, como tem sido demonstrado pelo desenvolvimento do ecoturismo ao longo da rota Transpantanera nos últimos dez anos, explica.

“Somente sentando em volta da mesma mesa, ouvindo uns aos outros, podemos chegar a um acordo para que a conservação e a economia estejam no mesmo nível de interesse e preocupação. Aí estaremos falando a mesma língua”, completou.


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Cotidiano

Como a pandemia de covid-19 pode levar a uma revolução nas vacinas

A covid-19 está mudando radicalmente muitas coisas, e uma delas pode ser como as vacinas funcionam

Lucas Passos

Publicado

© Reuters   As vacinas gênicas estão sendo desenvolvidas há 30 anos

A covid-19 está mudando radicalmente muitas coisas, e uma delas pode ser como as vacinas funcionam.

A pandemia virou uma oportunidade de colocar à prova uma nova tecnologia que vem sendo desenvolvida há 30 anos.

Os cientistas usam engenharia genética para fazer nossas células produzirem uma parte de um vírus e, assim, ensinar o nosso sistema imunológico a nos proteger dele.

Isso permite criar vacinas muito mais rápido. Elas ainda podem ser mais simples de fabricar e seguras de usar. Provavelmente, vão ser mais baratas também.

Só falta provar que as vacinas gênicas, como elas são chamadas, realmente nos protegem.

Isso nunca foi feito. Até hoje, não há uma vacina deste tipo aprovada para uso em humanos.

Mas duas entre as oito vacinas contra a covid-19 em estágio mais avançado de pesquisa usam essa tecnologia.

Uma é feita pela pelas empresas Pfizer (Estados Unidos), BioNTech (Alemanha) e Fosun (China). A outra está sendo desenvolvida pela companhia americana Moderna.

Ambas já chegaram à terceira e última fase dos testes em humanos e estão sendo aplicadas em milhares de pessoas para ver se são eficazes.

As perspectivas são promissoras, diz Norbert Pardi, professor e pesquisador da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.

Os estudos feitos até agora apontaram que elas geraram uma boa resposta do nosso sistema imunológico e se provaram seguras.

“Ainda precisamos ver os resultados da última fase, mas estou otimista. Acredito que uma ou mais delas serão aprovadas. Isso tem o potencial de revolucionar o campo das vacinas para doenças infecciosas”, diz Pardi.

Como funcionam as vacinas

A maioria das vacinas que usamos envolve injetar um vírus ou bactéria no nosso corpo para que o sistema imunológico identifique a ameaça e crie formas de nos defender.

No caso dos vírus, eles podem estar enfraquecidos (sua capacidade de nos deixar doentes foi reduzida a níveis seguros) ou inativados (são incapazes de se reproduzir) — faz parte deste segundo tipo a Coronavac, que o governo de São Paulo anunciou na quarta-feira (23/09) que testes com 50 mil pessoas demonstraram ser segura.

Há também as chamadas vacinas de subunidades, em que apenas fragmentos característicos de um vírus, como uma proteína, por exemplo, são produzidos em laboratório e purificados para serem usados na vacina.

A proposta das vacinas gênicas é diferente. Em vez de injetar em nós um vírus ou parte dele, a ideia é fazer o nosso próprio corpo produzir a proteína do vírus.

Para isso, os cientistas identificam a parte do código genético viral que carrega as instruções para a fabricação dessa proteína e a injetam em nós.

Uma vez absorvidas por nossas células, ela funciona como um manual de instruções para a produção da proteína do vírus.

A célula fabrica essa proteína e a exibe em sua superfície ou a libera na corrente sanguínea, o que alerta o sistema imune.

As vantagens das vacinas gênicas

A imunologista Cristina Bonorino explica que, no caso das vacinas atenuadas ou inativadas, é preciso cultivar uma grande quantidade de vírus para usá-los como matéria prima.

As vacinas gênicas dispensam isso. Basta criar em laboratório só a sequência genética desejada.

Isso exige uma estrutura de produção muito mais enxuta. “O custo também é provavelmente menor”, diz Bonorino, que é professora da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e membro do comitê científico da Sociedade Brasileira de Imunologia.

Márjori Dulcine, diretora-médica da Pfizer Brasil, empresa que fabrica uma das vacinas gênicas, explica que, além desse tipo de vacina ser produzida mais rapidamente em grande escala, ela também é flexível.

“Sabemos que o Sars-Cov-2 tem uma grande capacidade de sofrer mutações. Então, se isso ocorrer, podemos rapidamente adaptar”, diz Dulcine.

© Reuters   As vacinas gênicas estão sendo desenvolvidas há 30 anos

As vacinas gênicas também eliminam o risco de uma pessoa ficar doente ao ser vacinada, o que pode ocorrer quando são usados os vírus atenuados.

Os vírus neste estado foram manipulados para serem menos perigosos, mas ainda assim eles conseguem se reproduzir lentamente.

Isso dá tempo suficiente para que o sistema imunológico de uma pessoa saudável reaja e, neste processo, aprenda a combater essa ameaça.

Mas, em casos mais raros, se o paciente é imunocomprometido, ele pode perder essa corrida contra o vírus, e a pessoa fica doente.

“Com esse tipo de vacina, não tem isso, porque ela não usa um micro-organismo vivo. É completamente sintética”, diz Norbert Pardi, da Universidade da Pensilvânia.

O tempo necessário para desenvolver uma vacina também cai drasticamente. Normalmente, leva-se meses para ter uma pronta para os primeiros testes. Com a vacinas gênicas, demora semanas.

“A Moderna levou 42 dias do momento em que recebeu a sequência genética do vírus até começar os estudos da vacina contra a covid-19. Isso é quase impossível com outras tecnologias”, afirma Pardi.

O cientista diz ainda que os testes mostraram até agora que as vacinas gênicas contra a covid-19 geraram uma reação do sistema imunológico ao menos tão boa quanto a das outras candidatas.

“Então, elas não são apenas mais seguras e relativamente baratas de produzir, mas bastante eficazes. Isso é muito importante.”

Vacinas de DNA x Vacinas de RNA

Mas se estas vacinas têm tantas vantagens, por que ainda não há nenhuma aprovada para o uso em humanos? Um dos motivos é que a tecnologia é recente.

A primeira vacina foi criada pelo médico britânico Edward Jenner há pouco mais de 220 anos, na virada entre os séculos 18 e 19, para prevenir a varíola.

As vacinas gênicas estão sendo desenvolvidas há pouco mais de três décadas – e só mais recentemente começaram a dar resultados mais animadores.

A princípio, acreditava-se que seria melhor fazer esse tipo vacina usando DNA, a molécula que guarda todas as informações genéticas de um organismo – e que são usadas pelas nossas células para fabricar as proteínas que compõem o nosso corpo.

Mas, para que isso aconteça, o DNA precisa antes ser transformado em moléculas de RNA, que transportam essas instruções até a parte da célula onde as proteínas são produzidas.

Os cientistas acreditavam que, ao injetar o DNA do vírus em nós, ele poderia ser absorvido por nossas células e, uma vez dentro delas, transformado em RNA para que então a proteína desse micro-organismo fosse fabricada, o que daria início à reação imune.

Mas os testes feitos até agora mostraram que as vacinas de DNA não produzem uma resposta imunológica forte o suficiente em humanos. “Não sabemos exatamente por quê”, diz Pardi.

Outra alternativa é usar diretamente o RNA. O problema é que essa molécula é capaz de gerar uma inflamação muito forte em nós e que pode nos matar.

Também é muito mais instável do que o DNA e se degrada facilmente no nosso organismo.

“Temos em nós, por tudo quanto é lado, enzimas que atacam o RNA. Se você injetar ele sem que esteja protegido, ele é rapidamente destruído”, diz Jorge Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor).

Mas, nos últimos 15 anos, os cientistas encontraram uma forma de envelopar essa molécula para impedir que ela se decomponha e chegue até a célula. Também conseguiram reduzir o potencial inflamatório do RNA.

“A expectativa é que, daqui a algum tempo, quando a gente domine essa tecnologia, muitas vacinas no futuro sejam desse tipo”, diz Kalil.

Como estão as vacinas contra a covid-19

© Reuters   Há mais de 170 candidatas a vacina contra covid-19 sendo desenvolvidas

A pandemia criou algumas condições que provavelmente estão acelerando esse processo.

A covid-19 é uma doença nova, muito contagiosa e mortal, contra a qual ainda não existe uma vacina. Criar uma é urgente.

Fazer isso normalmente custa dezenas ou centenas de milhões de dólares, mas agora há muito dinheiro sendo investido por governos e organizações.

E, quando uma vacina estiver pronta, países do mundo todo terão interesse em comprá-la.

“A maior dificuldade para fazer uma vacina é dinheiro, porque a técnica é relativamente simples”, diz a imunologista Cristina Bonorino.

“Já existem vacinas de RNA patenteadas, mas elas não foram colocadas no mercado. A questão é: tem mercado? Agora, tem mercado e uma necessidade não atendida.”

Há 40 vacinas gênicas entre as 187 que estão sendo desenvolvidas contra a covid-19, segundo a Organização Mundial da Saúde. Dez já são testadas em humanos, e duas estão na última etapa desta parte da pesquisa.

O estudo da vacina da Moderna envolve 30 mil participantes nos Estados Unidos. A pesquisa da Pfizer/BioNTech/Fosun também conta com 30 mil voluntários nos Estados Unidos e em outros países, entre eles o Brasil.

Nos dois casos, as empresas já desenvolviam vacinas de RNA para combater outros vírus.

No caso da Moderna, era o Nipah, que é transmitido por morcegos e pode causar problemas respiratórios e uma inflamação no cérebro que são potencialmente mortais.

A Pfizer e a BioNTech estavam criando uma vacina de RNA contra o influenza, que causa a gripe.

O objetivo é fazer nossas células produzirem a proteína do coronavírus conhecida como espícula, que tem uma grande capacidade de gerar uma resposta do sistema imunológico.

“Acho que essas vacinas têm potencial. Os resultados publicados mostram que elas induzem à produção de uma grande quantidade de anticorpos que neutralizam o vírus. O teste final será ver se essa proteção é duradoura”, diz o imunologista Jorge Kalil.

O estudo da Pfizer vai durar dois anos, mas a empresa espera ter os primeiros resultados para apresentar às agências regulatórias já no final de outubro e começo de novembro.

“O momento exige de nós agir rapidamente, com segurança e qualidade. Nosso papel é apresentar dados robustos às autoridades”, diz Márjori Dulcine.

“São elas que vão nos dizer se eles são suficientes.”

Informações: BBC


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Brasil

Vacina de injeção única da Johnson & Johnson contra coronavírus será testada em 60 mil pessoas

A vacina experimental que está sendo desenvolvida pela gigante farmacêutica Johnson & Johnson é a quarta nos EUA a entrar nos grandes ensaios da Fase 3, os quais determinarão se é eficaz e segura

Lucas Passos

Publicado

A primeira vacina contra o coronavírus que tentará proteger as pessoas com uma única injeção entrou nos estágios finais de testagem nos Estados Unidos, com um ensaio clínico internacional que recrutará até 60 mil participantes.

A vacina experimental que está sendo desenvolvida pela gigante farmacêutica Johnson & Johnson é a quarta nos EUA a entrar nos grandes ensaios da Fase 3, os quais determinarão se é eficaz e segura. Paul Stoffels, diretor científico da J&J, previu que pode haver dados suficientes para se obter um resultado conclusivo até o final do ano e disse que a empresa planeja fabricar 1 bilhão de doses no ano que vem.

Outras três candidatas estão à frente, com testes que começaram no início do verão nos EUA, mas a vacina que está sendo desenvolvida pela Janssen Pharmaceutical Companies, uma divisão da J&J, tem várias vantagens que podem facilitar a logística de sua administração e distribuição, caso sua segurança e eficácia sejam comprovadas.

A empresa inicialmente está testando uma dose única, enquanto as outras vacinas testadas nos EUA exigem um retorno e uma segunda injeção, de três a quatro semanas após a primeira, para desencadear uma resposta imune protetora. A vacina da J&J também pode ser armazenada em forma líquida, sob temperaturas de geladeira, por três meses, ao passo que duas das candidatas favoritas precisam ser congeladas ou mantidas sob temperaturas ultracongeladas para o armazenamento de longo prazo.

“A vacina de dose única, se for segura e eficaz, terá vantagens logísticas substanciais para o controle da pandemia global”, disse Dan Barouch, diretor do Centro de Virologia e Pesquisa de Vacinas do Beth Israel Deaconess Medical Center em Boston, que fez parceria com a J&J para desenvolver a vacina.

Os Estados Unidos investiram bilhões de dólares em uma série de tecnologias de vacinas, entre os quais cerca de US $ 1,5 bilhão para apoiar o desenvolvimento da vacina da J&J e garantir uma compra antecipada de 100 milhões de doses. A vacina da J&J é a segunda a usar uma abordagem de vetor viral, pegando um vírus inofensivo e inserindo nele um gene que contém o diagrama de uma parte característica do novo coronavírus.

“É muito bom termos essa diversidade de plataformas, porque esta é uma crise crucial em termos de nossa situação global”, disse Francis Collins, diretor do Instituto Nacional de Saúde. “Agora, com 200 mil mortes aqui nos Estados Unidos, queremos fazer tudo o que pudermos, sem sacrificar a segurança nem a eficácia”.

Em um estudo com macacos publicado na Nature em julho, Barouch demonstrou que sua abordagem teve sucesso ao ensinar o sistema imunológico a se proteger contra uma infecção de verdade. Dados de testes em estágio inicial com 400 participantes humanos nos Estados Unidos e na Bélgica devem ser submetidos a um servidor de pré-publicação na quarta-feira, mas Stoffels disse que, de maneira geral, a vacina deu provas de que desencadeou uma resposta imune promissora e que seus efeitos colaterais foram toleráveis – como febres que desapareceram em um ou dois dias.

A J&J, como outras fabricantes de vacinas, prometeu publicar o protocolo completo de seu ensaio, o qual traz informações detalhadas sobre como os pesquisadores determinarão se a vacina é segura e eficaz. O protocolo também inclui as regras pelas quais um comitê independente examiná os dados ao longo do estudo para ver se há sinais claros de sucesso ou fracasso.

Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, disse que, como havia 154 casos de covid-19 no ensaio, seria possível dizer se a vacina foi eficaz. Mas também há intervalos predeterminados nos quais um conselho de monitoramento de dados e segurança avalia o progresso, para ver se a vacina mostra sinais precoces que exigiriam a interrupção do ensaio por alguma de várias razões – se a vacina for muito bem-sucedida, se estiver fazendo mal ou se for inútil, ou seja, se for improvável que produza algum resultado.

O estudo foi projetado para ser duas vezes maior que o desenho inicial de outros testes de Fase 3 nos Estados Unidos, embora o estudo da Pfizer também tenha se expandido para abranger 44 mil participantes. Metade dos participantes receberá a vacina e metade receberá o placebo.

Como os outros estudos sobre coronavírus nos Estados Unidos têm enfrentado dificuldades para recrutar populações diversas, o tamanho e o escopo internacional do estudo da J&J podem ser uma vantagem.

“Os testes de vacinas precisam ter participantes que reflitam a diversidade de nossa nação”, disse Michelle Andrasik, diretora de envolvimento comunitário da Rede de Prevenção à Covid-19, uma rede federal que faz parceria com empresas para realizar os testes. “Precisamos que todos se envolvam para garantir que encontremos uma vacina eficaz para todo mundo”.

Além disso, neste momento em que a segurança da vacina tomou o debate público por causa das preocupações de que colocá-la às pressas no mercado poderia ser um atalho arriscado, os estudos podem fornecer mais dados para tranquilizar as pessoas quanto ao histórico da vacina.

“Com uma testagem maior, também aumentamos o conjunto de dados de segurança”, disse Barouch. “A segurança agora está no foco da atenção pública, e aumentar o tamanho dos testes aumenta também o conjunto de dados de segurança”. / Tradução de Renato Prelorentzou

Informações: Estadão


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