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Política

Bolsonaro fala sobre o apelido ‘Bolsomito’ e as comparações com Trump

Dando dicas de como seria o governo, dá referências: ‘Definitivamente’ prefere ‘uma economia mais liberal’…

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O que se passa pela cabeça de Jair Bolsonaro? Quem são seus heróis, em quais pensadores ele se inspira, que filmes e literaturas cativam o deputado do Partido Social Cristão e potencial candidato à Presidência do Brasil em 2018?

Bolsonaro rebate as questões da Folha com outra pergunta: para que essa obsessão por nomes? “Minha cultura é geral. Vou atirando no que interessa, não sigo A, B ou C.” E então filosofa: “O que é o saber? É o que fica, e depois o que se esquece é o que se aprende. Vão me sacanear, mas pode colocar isso aí.”

Aos poucos, solta uma referência aqui, outra acolá. São na maioria totens da ultradireita brasileira: o filósofo Olavo de Carvalho, o três vezes presidenciável Enéas Carneiro, o coronel Brilhante Ustra.

Acrescenta em tom de galhofa: “Chaves, Professor Girafales, Seu Madruga… Me amarro em assistir”. É com Laura, 6, única menina entre cinco filhos, que acompanha os personagens do seriado mexicano, conta. Prefere não citar outros programas de TV.

Já se conhecem razoavelmente bem as preferências de outros nomes citados como pré-candidatos no ano que vem. Estes ou já disputaram o Palácio do Planalto antes (Lula, Geraldo Alckmin, Marina Silva, Ciro Gomes) ou algum cargo no Executivo (João Doria).

Na Câmara desde 1991, Bolsonaro se submeterá pela primeira vez ao tipo de escrutínio reservado a quem pleiteia o maior cargo no país, caso se formalize presidenciável. Segundo pesquisa Datafolha de junho, alcança 16% das intenções de voto para 2018. Seu melhor desempenho é entre quem tem de 16 a 24 anos (23%), ensino superior (21%) e renda familiar mensal de cinco a dez salários mínimos (25%).

Indagado sobre modelos políticos, Bolsonaro aposta na autorreferência: “Gosto do ‘BolsoMito'”. Abre uma exceção ao citar o americano Donald Trump. Vê um elo ali. “Éramos muito comparados. A imprensa fazia chacota do Trump, o acusava de ser fascista.”

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O parlamentar rebate uma visão comumente associada a ele: a de que seria incapaz de se aprofundar em temas como economia. “Adianta entender se quem vai governar [essa área] é o ministro da Fazenda? [Presidente é] que nem técnico, é que nem maestro, tem que colocar as pessoas certas no lugar certo”, afirma.

Conta que almoçou recentemente com o general Augusto Heleno, ex-comandante da Missão das Nações Unidas no Haiti (2004-05) –um bom quadro para a pasta da Defesa, diz.

Dá pistas de linhas que adotaria num eventual governo seu. “Definitivamente” prefere “uma economia mais liberal”. Aprecia as ideias sobre desburocratização da máquina pública defendidas por Helio Beltrão (1916-1997), ministro de três pastas na ditadura.

A admiração por Carlos Alberto Brilhante Ustra (1932-2015) é antiga. Bolsonaro lê pela segunda vez “A Verdade Sufocada”, introduzida pelo coronel que chefiou a unidade de tortura do DOI-Codi como “a história que a esquerda não quer que o Brasil conheça”.

Outro ícone: Enéas Carneiro (1938-2007), até hoje o deputado mais votado da história do país –mais de 1,5 milhão de eleitores em 2002. Levantamento do Datafolha de 1998 revelou que Enéas era tido como “inteligente e brilhante”. Ele discorreu sobre isso à época: “Não é um atributo pelo qual eu tenha mérito. Foi Deus quem me deu. É como beleza física. Ninguém tem mérito por ser bonito”.

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Meu Nome é Nióbio

O cardiologista famoso pelo bordão “meu nome é Enéas!” foi visionário por ter percebido o potencial do nióbio, diz Bolsonaro. Usado numa gama de produtos que vai do gasoduto ao reator nuclear, o mineral é abundante no Brasil e virou xodó do deputado do PSC, como o foi para o fundador do Prona. Em 1998, Enéas chegou a propor criar uma nova moeda lastreada nele, para substituir o real, “que não tem nada de real, é uma das coisas mais cínicas que já apresentaram à população”.

Ainda na área econômica: em março, Bolsonaro disse à Folha que a reforma da Previdência, ao menos a apresentada pelo governo Michel Temer, pesava na mão (“remendo de aço numa calça podre”).

Hoje lê também “Governança Pública – O Desafio do Brasil”, no qual o ministro do Tribunal de Contas da União Augusto Nardes analisa as políticas públicas nacionais. Acha que demorará um mês para terminar. “Não só é grande como tem muitos números.”

Leitura que lhe tomou “uns sete anos”: a Bíblia, que “com orgulho” estudou “do começo ao fim”. Começou em 1977, então cadete da Academia Militar das Agulhas Negras, onde se formou após uma juventude à base da música caipira de “Na Beira da Tuia”, programa com Tonico e Tinoco que ouvia num radinho de pilha (Amado Batista, um admirador seu, é outra referência).

Se busca ensinamentos nas escrituras, inteira-se sobre atualidades sobretudo pelo WhatsApp, conta. Tem no aplicativo “umas 200 pessoas com quem troco informação”.

É fã de Olavo de Carvalho, que o “ensinou a pensar contrariamente àquele cidadão Paulo Freire”, como afirmou em palestra em Natal (RN). Olavo é uma das 133 pessoas que segue no Twitter. Outras: o apresentador José Luiz Datena, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, o humorista Carioca (que faz uma paródia sua, o BolsoNabo) e o pastor Silas Malafaia, que celebrou seu terceiro casamento, em 2013.

Também acompanha o perfil do InfoWars, site americano que se diz “a ponta da lança da mídia alternativa”, mas famoso por disseminar notícias falsas e pró-Trump.

Se passa por São Paulo, às vezes encontra Otávio Mesquita. O apresentador do SBT já o levou para almoçar com convivas que participam de um grupo de WhatsApp chamado “Amigos do Vinho”. Entre os empresários presentes, segundo Mesquita, estava José Carlos Semenzato, da SMZTO, holding de franquias como Espaço Laser (depilação). Bolsonaro “é um cara meio porra louca, no sentido bom da palavra”, diz o apresentador.

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Brasil

Mesários de Pernambuco receberão auxílio por aplicativo do Banco do Brasil

TREs estabelecerão valores e data de depósito do benefício

Marcelo Passos

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Urnas eletrônicas - (Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters)

Urnas eletrônicas – (Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters)

Os mesários de 23 estados nas eleições municipais de novembro deste ano receberão o auxílio-alimentação por meio do smartphone. O benefício será pago por meio do aplicativo Carteira bB, carteira digital fornecida pelo Banco do Brasil.

O pagamento por meio digital resulta da parceria entre o Banco do Brasil e os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) dos seguintes estados: Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

Caberá a cada TRE definir o valor e a data de pagamento do auxílio-alimentação. As condições de recebimento podem ser verificadas no site da Justiça Eleitoral de cada estado.

Para receber o auxílio-alimentação, os mesários deverão instalar o aplicativo, disponível nos sistemas operacionais Android e iOS, e cadastrar-se na Carteira bB. Cada TRE encaminhará aos mesários um código que será usado para resgatar o benefício na data indicada. O saldo disponível aparecerá na tela inicial do aplicativo.

As eleições municipais ocorrerão em 15 de novembro, com o segundo turno em 29 do mesmo mês. Ao todo, serão preenchidos 67,8 mil cargos públicos eletivos de prefeitos e vereadores.

Lançamento
Lançada em março, a Carteira bB tem cerca de 1 milhão de clientes em todo o país. O aplicativo permite pagamentos por meio de Código QR (versão avançada do código de barras) em máquinas da bandeira Cielo. Também é possível fazer saques nos caixas eletrônicos do Banco do Brasil, recarregar celular, fazer transferências para qualquer conta bancária convencional e efetuar pagamentos com cartão virtual, usados em compras online, aplicativos de transporte e serviços de entrega.

Segundo o Banco do Brasil, o funcionamento simplificado do aplicativo atende às necessidades imediatas de serviços como os usados pelos mesários.

 

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Política

Eleições 2020: Saiba como encontrar seu local de votação

O aplicativo e-Título é outra maneira de consultar as informações.

Marcos Philipe Passos

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(Foto: Aldo V. Silva / Arquivo JCS)

(Foto: Aldo V. Silva / Arquivo JCS)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possui uma ferramenta de consulta que informa o número do título de eleitoral, da zona eleitoral e do endereço de seção da votação. Basta indicar o nome completo, a data de nascimento e o nome da mãe. Clique aqui para ter consultar seu local de votação.

O aplicativo e-Título é outra maneira de consultar as informações. Ele pode ser baixado em tablets ou smartphones que utilizam os sistemas operacionais Android ou iOS.

Além disso, você pode ligar para a Central do Eleitor de seu estado para obter informações. Em Pernambuco, o número é: (81) 3194-9400. Se você for de outro estado confira os número de cada Central neste link.

Vale ressaltar que você pode votar sem ter o título de eleitor em suas mãos. Para votar é necessário que você tenha em mãos qualquer documento oficial com foto e saiba o local de sua votação.

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Brasil

Bolsonaro diz que juiz não pode decidir sobre obrigatoriedade de vacina para Covid-19

Declaração vem após presidente do STF afirmar ver com bons olhos Justiça entrar na discussão e tomar uma decisão a respeito

Marcelo Passos

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O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira que não entende a “pressa” no desenvolvimento da vacina contra o novo coronavírus. Citando a hidroxicloroquina, Bolsonaro também questionou apoiadores se não seria mais fácil e barato “investir na cura do que na vacina”. A substância mencionada pelo presidente, no entanto, não tem eficácia contra a Covid-19 comprovada cientificamente.

— O que nós queremos é buscar a solução para o caso. Agora, pelo que tudo indica, a vacina que menos demorou até hoje foram quatro anos, eu não sei porque correr em cima dessa — disse, acrescentando:

— Eu dou minha opinião pessoal: não é mais fácil e barato investir na cura do que na vacina? Ou jogar nas duas, mas também não esquecer da cura? Eu, por exemplo, sou uma testemunha [da cura]. Eu tomei a hidroxicloroquina, outros tomaram a ivermectina, outros tomaram annita e deu certo — afirmou.

Bolsonaro afirmou que o governo não “quer atropelar” a discussão sobre a vacina e comprar uma substância sem “comprovação” científica. Ele disse que espera a publicação dos resultados dos imunizantes desenvolvidos contra a Covid-19 em uma revista científica, para tomar uma decisão.

— Hoje vou encontrar com o ministro Pazuello da Saúde para tratar desse assunto, porque temos uma jornada pela frente, onde parece que foi judicializada essa questão, e entendo que essa não é uma questão de Justiça, é uma questão de saúde acima de tudo, não pode um juiz decidir se você pode ou não tomar vacina, isso não existe — afirmou.

O presidente tem se posicionado contrário a obrigatoriedade da vacina contra o novo coronavírus, principalmente após o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciar que a imunização vai ser obrigatória no estado.

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