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Brasileiro precisa trabalhar três dias para encher o tanque do carro

Com combustível custando R$ 4,28 o litro, abastecer o veículo pode consumir quase 10% do salário médio da população.

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Valor médio da gasolina subiu em torno de 20% desde outubro de 2016

Com a gasolina mais cara, os brasileiros estão consumindo uma fatia maior do salário para abastecer o carro. Levando em conta o rendimento médio do trabalhador, de R$ 2.169 no primeiro trimestre, é possível calcular que se gastam o equivalente a três dias de trabalho para encher um tanque de 50 litros.

O custo médio da gasolina segundo o último levantamento da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) era de R$ 4,284. Pagando esse valor, o tanque cheio sai por R$ 214,20: 9,87% do salário médio do trabalhador, de acordo com a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).

Vale destacar que a gasolina brasileira não está entre as mais caras do mundo. O litro custa hoje em torno de US$ 1,17, enquanto no Chile, por exemplo, sai por US$ 1,28 (R$ 4,53). Em Portugal, custa US$ 1,86 (R$ 6,34), segundo dados da plataforma Global Petrol Prices (veja gráfico abaixo).

A diferença é que nesses países a renda média do trabalhador é superior à brasileira. No Chile, o rendimento mensal gira em torno de R$ 4.750. Usando a mesma conta, os chilenos precisam trabalhar 1,5 dia para encher o tanque.

A Noruega tem uma das gasolinas mais caras do mundo (em torno de R$ 7,09 o litro), mas isso não significa que os cidadãos daquele país tenham dificuldade na hora de abastecer o carro, apesar de possuir o maior percentual do mundo de veículos elétricos em sua frota. O salário médio do norueguês é de R$ 20.018, o que faz com que ele tenha que trabalhar 1,8 dia para completar o tanque do carro.

“Quando você não tem ganhos de renda reais e crescimento econômico com reflexo na renda, como é o caso do Brasil, e existe algum tipo de descolamento em relação a produtos com preço determinado internacionalmente, ocorre essa distorção que estamos vendo. Ou seja, se houvesse geração de renda, esse problema poderia até existir, mas seria melhor equalizado”, explica o professor de economia do Ibmec/SP Walter Franco.

Um levantamento recente da agência de notícias econômicas Bloomberg mostra que o Brasil é o 11º país do mundo com maior custo para adquirir gasolina se for considerada a renda média. Os brasileiros gastam 4,62% do salário de um dia para comprar um litro de gasolina.

Na França, onde o litro custa o equivalente a R$ 6,31, o trabalhador gasta 1,5% do salário de um dia por litro.

“A renda per capita do Brasil, além de ser baixa é muito mal distribuída. […] Na Europa, a gasolina é mais cara que no Brasil e as pessoas não reclamam, porque elas têm uma renda maior e há alternativas ao transporte particular, que incentivam o uso do transporte público”, explica o professor e economista Fernando Botelho, da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo).

Política de preços

Em outubro de 2016, a Petrobras adotou uma nova forma de precificar a gasolina e o diesel que saem das refinarias, acompanhando mensalmente a variação do barril de petróleo no mercado internacional e o dólar. Desde junho do ano passado, a empresa passou a fazer os reajustes com mais frequência, até diariamente.

No mês em que começou a vigorar a nova regra, o preço médio da gasolina no país estava em R$ 3,55, enquanto o dólar era cotado a R$ 3,25 e o barril de petróleo no mercado internacional a US$ 49,95.

Passado quase um ano, a gasolina passou para R$ 4,28 (alta de 20,5%), o dólar está em R$ 3,64 e o barril de petróleo custa US$ 80,21 (alta de 47,4%).

Os EUA têm uma política de preços similar à brasileira, mas não sofrem com variação cambial porque o barril de petróleo é negociado em dólar.

Há um ano, o galão de gasolina (3,785 litros) era vendido a US$ 2,448, em média. Em abril, fechou em US$ 2,795: alta de 14,1%. O preço já é o mais alto desde julho de 2015, segundo dados da Secretaria de Estatísticas Trabalhistas dos Estados Unidos.

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou nesta terça-feira (22) que a forma de precificar a gasolina e o diesel continuará a mesma porque as altas se devem a “fatores externos” e “a empresa tem obrigação de refletir isso”.

Por outro lado, o governo tenta conter a pressão cambial das últimas semanas, com o Banco Central atuando diariamente no mercado, o que já gerou uma queda sensível da moeda norte-americana.

E na manhã de terça, a Petrobras anunciou redução no preço da gasolina nas refinarias a partir desta quarta-feira (23).

Para o professor Botelho, da FEA-USP, a política de preços da Petrobras é “muito transparente”. No entanto, ele acha que a empresa poderia ter espaçado os reajustes para evitar que as altas do câmbio e do barril de petróleo chegassem tão rápido à população.

“Não se trata de represar preços, porque isso já causou muitos prejuízos à Petrobras no passado, mas apenas de não fazer diariamente as revisões”.

No entanto, ele diz que, “infelizmente”, o consumidor deverá arcar com esse custo adicional da gasolina. “Senão, a conta vai sobrar para o governo e aí todos pagarão indiretamente”. 

Alta do diesel e protesto de caminhoneiros

Além dos motoristas de carros, os caminhoneiros também estão enfrentando dificuldades para encher o tanque em razão da alta do diesel. Por causa disso, os caminhoneiros entraram no terceiro dia de protestos nesta quarta-feira (23). 

Para agradar a categoria, o governo federal anunciou ontem que cortará um dos impostos sobre o diesel, a Cide, para reduzir o preço do combustível. Esse imposto rende cerca de R$ 2,5 bilhões anuais em arrecadação para o governo.

Para compensar o desfalque, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, anunciou que foi fechado um acordo com o Congresso para que seja aprovada a reoneração da folha de pagamentos de alguns setores da economia.

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Com mais 1.358 confirmações e 24 óbitos, Pernambuco soma 288.424 casos e 10.804 mortes por Covid-19

Redação PortalPE10

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UTI para a COVID-19 do hospital Gilberto Novaes, em Manaus - AFP/Arquivos

UTI para a COVID-19 do hospital Gilberto Novaes, em Manaus – AFP/Arquivos

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) registrou, nesta sexta-feira (19/02), 1.358 casos da Covid-19. Entre os confirmados hoje, 50 (3,7%) são casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 1.308 (96,3%) são leves. Agora, Pernambuco totaliza 288.424 casos confirmados da doença, sendo 32.010 graves e 256.414 leves, que estão distribuídos por todos os 184 municípios pernambucanos, além do arquipélago de Fernando de Noronha.

Além disso, o boletim registra um total de 248.691 pacientes recuperados da doença. Destes, 19.476 eram pacientes graves, que necessitaram de internamento hospitalar, e 229.215 eram casos leves.

Também foram confirmados laboratorialmente 24 novos óbitos (13 masculinos e 11 femininos), ocorridos entre os dias 09/08/2020 e 18/02/2021. As novas mortes são de pessoas residentes dos municípios de Buíque (2), Cabrobó (1), Camaragibe (1), Caruaru (2), Goiana (1), Gravatá (1), Jaboatão dos Guararapes (2), Limoeiro (1), Olinda (3), Palmares (1), Petrolina (1), Recife (6), São José do Belmonte (1) e Vitória de Santo Antão (1). Com isso, o Estado totaliza 10.804 mortes pela doença.

Os pacientes tinham idades entre 30 e 96 anos. As faixas etárias são: 30 a 39 (1), 40 a 49 (2), 50 a 59 (2), 60 a 69 (6), 70 a 79 (6) e 80 ou mais (7). Do total, 18 tinham doenças pré-existentes: doença cardiovascular (12), diabetes (7), hipertensão (6), obesidade (2), doença de Alzheimer (1) e câncer (1) – um paciente pode ter mais de uma comorbidade. Os demais estão em investigação.

Com relação à testagem dos profissionais de saúde com sintomas de gripe, em Pernambuco, até agora, 26.280 casos foram confirmados e 46.230 descartados. As testagens entre os trabalhadores do setor abrangem os profissionais de todas as unidades de saúde, sejam da rede pública (estadual e municipal) ou privada. O Governo de Pernambuco foi o primeiro do país a criar um protocolo para testar e afastar os profissionais da área da saúde com sintomas gripais.

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Em Pernambuco, Bolsonaro dá início aos testes do Ramal do Agreste

PortalPE10 com informações UOL

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) esteve em Sertânia, no Sertão do Moxotó, interior de Pernambuco, para participar dos primeiros testes do Ramal do Agreste, obra de infraestrutura hídrica, pretende levar abastecimento de água para cerca de 2,3 milhões de pessoas.

Ao lado do ministros Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria do Governo), Gilson MAchado (Turismo) e do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e de apoiadores, o presidente fe o acionamento das comportas do Ramal do Agreste, o primeiro passo para a integração hídrica que levará água a partir do Eixo Leste, beneficiando 68 municípios pernambucanos.

Após saírem do reservatório de Barro Branco, as águas passam por oito canais, três sifões e três túneis, que somam 37,4 quilômetros, até chegar ao reservatório Negros, que tem capacidade de armazenar 14,7 milhões de metros cúbicos de água. Toda essa estrutura integra o Marco 1 da obra, que ainda é composto por mais dois trechos.

O empreendimento tem 70,8 quilômetros de extensão e capacidade de vazão de 8 mil litros de água por segundo. Quando finalizado, o Ramal do Agreste levará as águas do Eixo Leste do Projeto de Integração do Rio São Francisco para a região de maior escassez hídrica de Pernambuco.A obra do Ramal do Agreste, que completou 84,15% de execução, está prevista para junho de 2021.

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Litro da gasolina fica acima de R$ 5 pela 1ª vez na média nacional

Marcelo Passos

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O Índice de Preços Ticket Log (IPTL) registrou aumento de 4,49% no preço da gasolina nos primeiros 15 dias de fevereiro e o litro médio do combustível agora é R$ 5,033. É a primeira vez que a empresa aponta o preço da gasolina acima de R$ 5 na média nacional desde o início da série histórica em 2011. Em janeiro, a média era de R$ 4,816.

O valor do combustível subiu 25,7% desde maio de 2020, última vez que a pesquisa registrou queda nos preços. “O aumento mais significativo da gasolina no País foi registrado no Amazonas. Nos postos do Estado, os preços do combustível na primeira quinzena de fevereiro subiram 7,58% e o litro médio é de R$ 4,881. Em nenhum Estado houve redução dos preços”, diz Douglas Pina, Head de Mercado Urbano da Edenred Brasil, controladora da Ticket Log.

O etanol aumentou 2,08% e chegou ao valor de R$ 3,857, ante R$ 3,779 em janeiro. O levantamento é feito com base nos abastecimentos realizados nos 18 mil postos credenciados da Ticket Log.

No comparativo regional, somente na região Sul o índice mostrou preço médio da gasolina abaixo de R$ 5, embora a região tenha tido o segundo maior aumento no valor, de 4,57%, o que elevou o preço do litro médio para R$ 4,825.

A região Norte, primeira colocada na lista, teve crescimento de 4,66% e o preço médio foi para R$ 5,012. A região que apresenta o litro mais caro de gasolina é o Centro-Oeste, no valor de R$ 5,090.

Em relação aos Estados, a gasolina mais barata está no Amapá, a R$ 4,484, enquanto a mais cara está no Acre, a R$ 5,422.

No caso do etanol, o Pará registrou o maior aumento do combustível no Brasil, com aumento de 9,80%. O preço médio do etanol no estado é R$ 4,416.

O Norte e o Centro-Oeste tiveram os menores aumentos no preço do etanol, que subiu 1,90% e 1,95%, respectivamente. Porém, a pesquisa apontou que o litro mais caro está na região Norte, no valor de R$ 4,031. O mais barato está no Centro-Oeste, e é de R$ 3,604. “Nos três estados da Região, o etanol compensou mais para os consumidores em relação à gasolina, se considerada a margem de vantagem 70/30”, afirma Pina.

O etanol com preço médio mais barato no comparativo entre estados é o de São Paulo, que custa R$ 3,167. O mais caro está no Rio Grande do Sul, a R$ 4,490.

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