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Carona 2.0: será que pega no Brasil?

Em ascensão nosEUA, programas que facilitam a prática desembarcam no país — e devem enfrentar desafios bem brasileiros

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Apontar o polegar para o destino desejado tem um significado universal: pedir carona. Agora, os dedinhos podem fazer outro movimento: clicar em um aplicativo. Os serviços que colocam em contato quem busca e quem oferece carona aceleram nos Estados Unidos e desembarcam no Brasil. Para ganhar popularidade em solo nacional, contudo, terão de enfrentar desafios bem brasileiros.

Os primeiros aplicativos de carona — ou ride-matching, em inglês — foram desenvolvidos no Vale do Silício, coração do setor de inovação nos Estados Unidos. Por causa da escassez de táxis em São Francisco, programadores criaram soluções capazes de colocar em contato proprietários de veículos e pedestres que rumavam na mesma direção. Assim nasceu o Uber, pioneiro nesse segmento.O motorista interessado se cadastra no serviço e, do outro lado, os interessados na carona usam o sistema de geolocalização do programa para encontrar o carro mais próximo. Não é questão de camaradagem. Ou, ao menos, não só. Há pagamento envolvido na operação. Os caronistas remuneram os motoristas de acordo com tarifas pré-estabelecidas e o dono do app fica com uma comissão.

O consultor do mercado de celulares americano Benjamin Jackson, de 32 anos, morador de Nova York, é um entusiasta da prática de ride-matching. Ele afirma já ter usado diferentes aplicativos com o mesmo propósito em várias cidades dos Estados Unidos. “No caso do Uber, você pede o carro pelo celular e consegue acompanhar, via GPS, a chegada do veículo. Os carros são muito bons e oferecem água gelada e docinhos. Você fica sabendo do valor da corrida no final do trajeto. O pagamento é feito pelo aplicativo”, diz Benjamin.

 

O app Lyft é outra opção. Ao contrário do rival Uber, não estabelece uma tabela fixa de preços para as viagens: é o passageiro quem decide o quanto vale a corrida. O cálculo sugerido é o seguinte: quanto mais agradável for a viagem, maior a remuneração. O também americano Adrian Perez, de 23 anos, usa o Lyft para complementar sua renda na cidade de São Francisco. “Faturo em média 20 dólares por hora. Mas isso não é tudo: os passageiros são muito legais e é fácil engatar uma conversa com eles”, diz o programador. Dinheiro e boa conversa são pontos positivos dos aplicativos de carona. Podem ainda, acrescenta o americano, ajudar a combater a praga dos congestinamentos nas grandes cidades. “Mas não são a solução definitiva para eles”, diz. Difícil discordar.

A carona como modalidade de “transporte sustentável” é tema de muitos estudos nos Estados Unidos. Segundo pesquisa realizada pela Universidade de Berkeley, o número de pessoas que pegam carona no país cresceu oito vezes entre 2005 e 2012, passando de 100.000 para 800.000. O número de motoristas dispostos a compartilhar o carro também cresceu no mesmo período: de 2.000 para 12.000. São cifras relativamente modestas para uma nação de 300 milhões de pessoas. Ainda assim, os aplicativos estão fazendo sua parte. Segundo o dado mais recente disponível, O Uber registrava em novembro de 2013 cerca de 887.000 corridas por semana nas sessenta cidades em que opera em todo o mundo. No mesmo período, faturou 22 milhões de dólares.

Se o negócio continuar crescendo, é certo, segundo estudos, que haverá benefícios. De acordo com pesquisa publicada no periódico Energies, a adoção esporádica da carona na cidade de São Francisco representaria uma economia de 1,8 milhão de litros de gasolina por ano. Por isso, movimentos como o Ridesharing Institute, que incentivam a carona, querem ampliar a prática, retomando números da década de 1980, quando 20% dos americanos usavam carona para ir trabalhar.

Por aqui, a carona 2.0 é incipiente. Mas já possível prever que o modelo enfrentará desafios — os mesmos enfrentados pela modalidade tradicional. Um deles são os hábitos locais; outro, a segurança. A especialista em saúde pública Sandra Costa de Oliveira se dedica ao assunto na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), observando particularmente o comportamento das pessoas que não oferecem ou pegam carona. “Por aqui, as pessoas gostam muito de usar o carro sozinhas, pois isso lhes garante privacidade. Quando dão carona, elas não sabem como o passageiro vai se comportar”, diz Sandra. A preocupação com a segurança é outra evidência surgida dos estudos. “Existe grande apreensão entre as pessoas em relação a assaltos e violência. Por isso, os brasileiros devem ser mais cautelosos na adoção das ferramentas virtuais.”

 

Os donos dos aplicativos, porém, não parecem convencidos de que o Brasil pode não ser simpáticos a seus produtos. Em fevereiro, o país receberá o Zaznu (“partiu”, em hebraico), app para iPhone e Android similar ao Lyft. O serviço opera em versão beta no Rio com vinte motoristas cadastrados. São Paulo será o próximo destino. Segundo Yonathan Yuri Faber, fundador do programa, o objetivo é oferecer uma alternativa de locomoção a turistas que virão ao Brasil durante a Copa do Mundo e Olímpiada. “Nosso plano é oferecer o app em dez cidades-sede da Copa. Depois, vamos expandir para alguns países da Europa”, diz Faber.

O serviço, disponível somente nos EUA, permite que os motoristas localizem outros usuários em busca de carona no trajeto que planejam percorrer. No entanto, o app não oferece caronas a usuários que querem fazer trajetos curtos, pois tem foco em viagens. Usuários em busca de uma carona também podem consultar, por meio do app, se existem motoristas com viagens cadastradas para o mesmo destino.

Para enfrentar o desafio da segurança, o Zaznu promete redobrar a cautela no cadastro dos motoristas. “Todos os parceiros serão entrevistados e terão de apresentar um atestado de antecedentes criminais”, afirma Faber. Acostumado a usar o Uber nos Estados Unidos, o publicitário Marcelo Tripoli, de 36 anos, não parece tão otimista: “Segurança é um problema no Brasil. Acho que esses aplicativos teriam mais êxito em pequenas cidades e não em grandes metrópoles como São Paulo e Rio.” Os apps vão descobrir, nos próximos meses, se a tese é ou não correta.


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Mutação da Covid-19 fecha fronteiras e acende novo alerta às vésperas do Natal

Redação PortalPE10

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(Foto: Divulgação/Getty Imagens)

O alerta veio do Reino Unido, que classificou como “fora de controle” uma variação do novo coronavírus, em uma cepa que indica ser muito mais contagiosa do que a que se disseminava até então no país.

O sinal amarelo provocou uma reação em cadeia, com diversos países anunciando restrições a viajantes oriundos do Reino Unido e de outras nações onde há indicativos ou casos confirmados dessa mutação da Covid-19.

Em solo britânico, o primeiro-ministro Boris Johnson fez um recuo brusco na reabertura do país e anunciou uma série de novas restrições, a fim de conter a disseminação do novo coronavírus.

O primeiro-ministro vinha indicando que iria no sentido contrário, flexibilizando as orientações com a proximidade das festas de final de ano. “Isso agora está se espalhando muito rápido”, alertou Johnson. “É com o coração muito pesado que digo que não podemos continuar com o Natal como planejado.”

Como quase tudo que diz respeito à pandemia, as decisões políticas estão tendo de ser tomadas com o carro andando, quando ainda não se sabe tudo a respeito dos desafios pela frente. Até agora, o panorama é de uma contaminação mais rápida, mas não mais mortal ou imune a uma vacina.

“Existe alguma evidência de que esta cepa pode ser mais infecciosa. Não há evidência de que seja mais mortal e não há evidência de que será mais resistente a uma vacina”, resumiu, em entrevista à analista da CNN Abby Philip, o médico Ashish Jha, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Brown.

Origem e disseminação
Em entrevista à rede britânica BBC nesse domingo (20), a líder técnica da Organização Mundial da Saúde (OMS), Maria Van Kerkhove, afirmou que os dados atuais indicam que a nova variante surgiu na Inglaterra, entre o sudeste do país e a capital, Londres.

Maria afirmou que casos de Covid-19 causados pela cepa mais contagiosa foram verificados na Dinamarca, na Holanda e na Austrália. No final do domingo, ao menos um caso já havia sido registrado também na Itália.

O final de semana se encerrou com crescentes anúncios de países impondo restrições de viagem a passageiros oriundos do Reino Unido.

A Holanda adotou uma das restrições mais longas, decidindo que voos oriundos do Reino Unido estarão impedidos de pousar no país até o final de 2020. O governo holandês afirmou que a cepa foi identificada em um paciente, diagnosticado no início de dezembro, e que está investigando se há outros casos.

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Suspeitos de matar adolescente de 13 anos por causa de R$ 10,00 são presos em Caruaru

Os dois suspeitos foram levados para Delegacia de Polícia Civil de Bezerros onde prestam depoimento.

Redação PortalPE10

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Menina de 13 anos foi encontrada com ferimento no pescoço em Encruzilhada de São João.

Os suspeitos de matar uma adolescente de 13 anos em Encruzilhada de São João, em Bezerros, no Agreste de Pernambuco, foram presos nesta sexta-feira (18), em Caruaru. Segundo a Polícia Civil, um dos homens assumiu que teria matado a menina por causa de R$ 10.

Ainda de acordo com a polícia, a vítima, que tinha envolvimento com droga, comprou maconha ao suspeito. A polícia está investigando se o outro homem teve participação no crime.

Os dois suspeitos foram levados para Delegacia de Polícia Civil de Bezerros onde prestam depoimento.

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Mata Sul

Em São Benedito do Sul, Paulo Câmara entrega restauração da APE-48 e anuncia obra de abastecimento de água

Governador inaugurou o novo acesso, totalmente requalificado, e anunciou obra hídrica que vai eliminar o rodízio de abastecimento no município.

Redação PortalPE10

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(Foto: Douglas Fagner/SEI)

SÃO BENEDITO DO SUL – O governador Paulo Câmara esteve, na manhã desta quinta-feira (17.12), neste município da Mata Sul de Pernambuco, onde inaugurou a total restauração da APE-48, com o novo acesso à cidade, e anunciou o projeto de construção da barragem de nível no Riacho Bom Destino, além de uma estação elevatória de água bruta. A ação na rodovia, que contempla um trecho de 3 km de extensão, faz parte do programa Caminhos de Pernambuco, e teve um investimento de cerca de R$ 1 milhão.

“Estamos inaugurando o novo acesso da APE-48. São três quilômetros totalmente recuperados, um pleito da prefeitura. Agora, a gente vai iniciar uma nova etapa de uma obra que também é fundamental, que vai acabar com qualquer tipo de rodízio no abastecimento de água aqui em São Benedito do Sul. Vai haver a licitação e a gente quer, no máximo em março, iniciar a obra, para que no segundo semestre São Benedito já esteja totalmente livre de rodízio. É mais uma obra importante que vai se juntar a tantas outras que temos feito em parceria com o município”, afirmou Paulo Câmara.

Foram realizados na rodovia serviços de limpeza dos dispositivos de drenagem e recapeamento da pista, além da sinalização vertical e horizontal, incluindo tachas luminosas para garantir a segurança na trafegabilidade no período noturno. As obras foram executadas de setembro a novembro deste ano.

A secretária de Infraestrutura e Recursos Hídricos, Fernandha Batista, destacou o potencial turístico de São Benedito do Sul e afirmou que novo acesso totalmente requalificado vai melhorar ainda mais essa vocação. “Esse investimento de R$ 1 milhão, em que três quilômetros foram totalmente reconstruídos, além da sinalização feita, vai melhorar a vida dos moradores e de quem passa por aqui. O governador também autorizou novos investimentos para retirar o município do rodízio de abastecimento de água. Essa obra vai ser iniciada no primeiro semestre de 2021 e vai ser concluída no segundo semestre”, ressaltou.

O caminhoneiro Alexandro Campos da Silva, de 45 anos, faz o trajeto pela via todos os dias. Para ele, depois da restauração, a estrada ficou bem melhor. “Agora melhorou nosso tempo de viagem, porque tem menos buraco para desviar. Além disso, também melhorou a iluminação e sinalização, então temos mais segurança no caminho”, avaliou.

MAIS ÁGUA – O projeto de construção da barragem de nível no Riacho Bom Destino, anunciado pelo governador, inclui ainda uma estação elevatória de água bruta, com vazão de 19 litros por segundo, a reforma da Estação de Tratamento de Água (ETA) e a instalação de um macromedidor para controle da vazão de água na ETA. Na prática, será possível eliminar totalmente o rodízio da cidade e as pessoas vão receber água todos os dias, 24 horas por dia. A obra, que terá um investimento de R$ 315 mil, beneficiará cerca de 14 mil habitantes.

O diretor Regional do Interior da Compesa, Mário Heitor, explicou que a captação que era feita no riacho Água Fria sofria um problema de intermitência ao longo do ano. “O rio secava e a gente parava o abastecimento da cidade, que hoje fica 24 horas sem água. Com essa captação agora, no riacho Bom Destino, a gente vai conseguir ter uma continuidade no abastecimento da cidade e beneficiará toda a população de São Benedito do Sul”, disse o gestor, complementando que a obra terá duração de quatro meses, após a licitação.

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