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Dois meses após enchente,moradores da Mata Sul ainda tentam recomeçar a vida

Moradores tentam retomar rotina e limpar casas após chuvas e enchentes em PE

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O X pintado em vermelho na parede é um estigma: aquela casa não é segura. Não serve como moradia. Pode ser arrastada pelo rio, pelas águas da chuva ou destruída por uma barreira que desmorone. Ao lado do X, há sempre um número que identifica a residência no cadastro feito pela Urja, empresa que presta serviços à Coordenadoria de Defesa Civil de Pernambuco (Codecipe).

Em Belém de Maria, cidade da Mata Sul com pouco mais de 11.400 habitantes, das 3.027 residências catalogadas no último Censo, 549 delas estão seladas – ou seja: estão fechadas por conta de problemas que inviabilizam o uso por seres humanos. Não é pouco: o número equivale a 18% das moradias do município.

Belém de Maria é uma cidade marcada por esse estigma. Cheias fazem parte do cotidiano. O Rio Una subiu mais de dois metros em maio e não é raro que moradores apontem marcas de onde as águas chegaram nas suas casas. É o caso das vizinhas Eliza Porcino da Conceição e Maria José Cavalcante de Lima.

Elas moravam em pequenas residências na Rua 4 de Outubro e foram entrevistadas pela equipe do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) em junho. “A água chegou até aqui em cima”, diz dona Eliza, 69 anos, apontando para o telhado. Ao lado do filho José Pereira de Moura, 48, ela ainda tirava lama de dentro do pequeno imóvel de quatro cômodos. “Até agora recebi água, colchão e comida. Mas nada para reconstruir a minha casinha”, se queixa a aposentada, que está vivendo na casa do filho em uma parte de Belém bem distante do rio.     

Dona Maria José também ainda sofre – com a ausência da casa onde morava e pela falta de informações sobre como será o seu futuro. Ela se emociona ao falar de como a chuva é uma parceira indesejada ao longo da sua vida. “É toda vez assim. Foi em 2000, em 2010 e agora”, lamenta ela, aos 54 anos. “Estou esperando para ver se resolvem alguma coisa. Agora que a chuva passou não faz mais medo. Mas quero consertar a minha casa.”

A situação da funcionária pública Quitéria Bezerra da Silva, 44, é similar. A casa dela, localizada na Intendência Dom Expedito, tem um vizinho abusado: um riacho que, toda chuva, esborra e lhe tira o sossego. Desta vez não foi diferente: “A água cobriu tudo. Saí no mesmo dia”, relembrou. Ao contrário das vizinhas da Rua 4 de Outubro, Quitéria não foi para a casa de parentes e, segundo ela, gasta R$ 300 por mês com o aluguel de uma outra casa, enquanto a sua está lá, com um X vermelho, marcada, trancada a cadeado e imprópria para morar. “A prefeitura ajudou com cesta básica e água. Se eu dissesse que não, estaria mentindo. Mas o kit aluguel, até agora, nada.”    

A Prefeitura de Belém de Maria diz que está fazendo o que pode e não tem recursos para atender à população afetada. Segundo a secretária de Assistência Social, Denise Mendes, apenas cinco famílias estão sendo beneficiadas com o pagamento de aluguel de imóveis. “A prioridade são as famílias que têm crianças e gestantes. Não temos recursos para atender a todos. As casas que estão em áreas de risco foram cadastradas e não sabemos o que será feito”, informou a secretária, salientando que nenhuma verba pública foi repassada ainda para o município. “Colocamos lonas plásticas nas barreiras para evitar deslizamentos. Estamos esperando os recursos”, lamentou Denise.

O promotor Marcelo Tebet recomendou à Prefeitura de Belém de Maria que não realizasse festividades juninas em face do prejuízo causado pelas chuvas na cidade, além da criação de comitê local de gerenciamento de crise, seguindo orientação dada pelo procurador-geral Francisco Dirceu Barros em reunião com os promotores da região, ainda em maio. “Estamos atentos ao prosseguimento das ações de atendimento à população e monitorando a situação”, afirmou o promotor, que está dando expediente na vizinha Lagoa dos Gatos porque a sede da Promotoria de Belém de Maria foi inundada e não há previsão de volta ao prédio do fórum.

Se Belém de Maria reclama que não recebeu ajuda financeira, o governo do Estado também se queixa. De acordo com nota enviada pela assessoria de imprensa do gabinete do governador Paulo Câmara, “os recursos solicitados (R$22,5 milhões) para atendimento às vitimas da enxurrada de 2017, desalojados e desabrigados, foram utilizados para aquisição de materiais de assistência humanitária e ações de restabelecimento. Todas as 27 cidades receberam ajuda. Os recursos para as ações de reconstrução (R$117 milhões) foram solicitados ao Governo Federal, mas ainda não houve repasse ao Estado para o inicio das ações”.     

Ainda na resposta, o governo do Estado diz que houve “uma certa confusão de entendimento” no que diz respeito aos R$ 600 milhões anunciados pelo presidente Michel Temer quando da visita da comitiva federal à área atingida, em 29 de maio, no auge da crise. A assessoria do governador afirma que a verba seria destinada ao enfrentamento das seca, mas, por causa das enchentes, Pernambuco se comprometeu a “reservar parte desse recurso para concluir barragens, que se encontraram paralisadas por falta de repasses, na região. Para a reconstrução de pontes, estruturas públicas e privadas danificadas durante a enxurrada, o Governo do Estado solicitou a liberação de R$ 117 milhões. E para a aplicação de geomantas nas encostas de municípios impactados, foram solicitados outros R$ 25 milhões. Em ambos os casos, os recursos ainda não foram repassados”.

Em contato feito pela reportagem do MPPE na Estrada, a assessoria do Ministério da Integração Nacional repassou a demanda para a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República, que, até o fechamento desta matéria (05/09), não havia dado retorno.

Os problemas relacionados à moradia para quem perdeu tudo em uma enchente não são exclusivos dos moradores de Belém de Maria. Em Palmares e Barreiros, há conjuntos residenciais feitos para as vítimas da cheia de 2010 que ainda não foram concluídos. Em outros, imóveis foram vendidos e estão vazios, com o mato crescendo. O Ministério Público de Pernambuco está atento ao problema e, em parceria com o Ministério Público Federal, atuando para reverter o que for irregular.

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VÍDEO: chineses impressionam e mudam de lugar prédio de 7 mil toneladas

Na “caminhada”, a estrutura percorreu 60 metros em 18 dias entre setembro e outubro.

Marcos Philipe Passos

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(Foto: Reprodução/YouTube)

(Foto: Reprodução/YouTube)

Um prédio antigo de 7 mil toneladas em Xangai, na China, foi mudado de lugar graças a pernas robóticas instaladas na base do edifício. Na “caminhada”, a estrutura percorreu 60 metros em 18 dias entre setembro e outubro. As informações são do G1. Veja no vídeo abaixo.

A edificação abrigava uma escola primária e precisou dar lugar a um moderno centro comercial previsto para ficar pronto em 2023. Para não demolir o prédio construído em 1935, as autoridades decidiram mudá-lo de lugar.

Assim, operários instalaram cerca de 200 suportes na base do prédio que se moviam alternadamente — o que dá a impressão de que o prédio estava caminhando.

Segundo a emissora estatal chinesa CGTN, prédios do tipo geralmente são movidos por uma espécie de trilhos. Como não era possível usar esse método para a antiga escola, os engenheiros decidiram aplicar a técnica que se assemelha a uma caminhada.

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Mulher vê filme adulto gay e descobre que marido é um dos atores do filme

Segundo a reportagem, na gravação, usando a aliança do casamento, o homem identificado apenas como Brandon fazia cenas quentes com vários outros parceiros.

Marcos Philipe Passos

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(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

Uma mulher de 26 anos assistiu a um filme pornô após o marido ir dormir e teve uma surpresa: enquanto escolhia um vídeo entre homens, ela viu o rosto de seu companheiro na tela, de acordo com informações do UOL.

Segundo a reportagem, na gravação, usando a aliança do casamento, o homem — identificado apenas como Brandon — fazia sexo com vários outros parceiros.

Confusa, a mulher que disse ter sempre preferido ver filmes pornôs gays fez um post no Reddit em busca de ajuda. Após a descoberta, os dois passaram a dormir em casas diferentes, e ela se submeteu a exames para detectar possíveis doenças sexualmente transmissíveis.

“Vou tentar não deixar isso muito explícito, mas cliquei em um vídeo aleatório e, definitivamente, era meu marido (na tela). O rosto dele estava plenamente visível, várias tatuagens específicas. Era ele. Eu sabia, sem sombra de dúvidas, que aquilo aconteceu depois de nos casarmos, porque ele estava com a droga da aliança”, escreveu a usuária anônima.

“Eu fiquei furiosa e enojada. Ele fez sexo sem proteção com vários homens. A única coisa em que eu pensava era em DSTs. Eu não consegui dormir à noite. Pedi para sair do meu trabalho também. A primeira coisa que fiz foi procurar uma clínica grátis e passar por exames. Não voltei para casa desde então. Não consigo nem olhar para ele. Estou brava para c…”, concluiu ela em seu desabafo.

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‘A segunda onda está chegando’, alerta diretor de emergências da OMS

“A segunda onda está chegando”, afirmou Ryan.

Marcos Philipe Passos

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(Foto: Pixabay)

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O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, demonstrou nesta segunda-feira (19) preocupação com a chegada do inverno no Hemisfério Norte, em especial na Europa e nos Estados Unidos.

“Na sexta-feira, falamos da fase preocupante em que a pandemia da Covid-19 entrou. À medida que o Hemisfério Norte entra no inverno, vemos os casos se acelerarem, principalmente na Europa e na América do Norte”, afirmou Tedros durante coletiva.

O diretor de emergências da OMS, Mike Ryan, também lembrou da Ásia, onde alguns países têm registrado aumento nas infecções e afirmou que o mundo está entrando em uma segunda onda da pandemia.

“A segunda onda está chegando”, afirmou Ryan.

“Quando vemos a Ásia, vemos que países que foram pouco afetados na primeira onda estão sendo mais afetados agora”, alertou o diretor de emergências da OMS.

A líder técnica, Maria van Kerkhove, afirmou que “não há uma a segunda onda inevitável”, mas lembrou que, neste momento da pandemia, os países e os sistemas de saúde já sabem o que fazer e como achatar a curva de transmissão nas comunidades.

“Este vírus opera em clusters e precisa das pessoas para se propagar”, lembrou van Kerkhove, pedindo que os países evitem eventos coletivos e reuniões presenciais, principalmente em lugares fechados.

“Temos que estar preparados para abrir mão do que gostamos neste momento [para conter a segunda onda]”, completou Ryan.

A OMS reforçou que os sistemas de saúde testem todos os casos suspeitos, rastreiem os contatos e isolem por 14 dias os infectados.

“Temos que rastrear e localizar todos os casos”, afirmou van Kerkhove. “Os indivíduos infectados devem ser quarentenados fora de casa [se vivem com outras pessoas] e por 14 dias. Isso significa não sair de casa, não ir trabalhar, não receber visitas.”

Aliança Covax

Ainda nesta segunda, a OMS informou que 184 países aderiram à aliança internacional Covax, uma iniciativa liderada pela entidade que irá garantir a compra equitativa da futura vacina contra a Covid-19. O último número anunciado havia sido de 171 países. Os últimos países a aderirem, segundo Tedros, foram Uruguai e Equador.

A entidade voltou a afirmar que espera que as vacinas adquiridas pela Covax cheguem aos idosos e demais grupos de risco até o início de 2021.

O Brasil faz parte da iniciativa Covax. No dia 7, o governo federal anunciou que prevê adquirir pela aliança 42 milhões de doses de vacina contra a Covid-19. A quantidade é suficiente para a cobertura de 10% da população brasileira, o que equivale a cerca de 21 milhões de pessoas (considerando a necessidade de dose dupla).

Mais de 40 milhões de infectados

O mundo alcançou a marca de 40 milhões de casos confirmados de coronavírus, segundo o monitoramento da universidade norte-americana Johns Hopkins nesta segunda. O número de mortos pela Covid-19 desde o início da pandemia em todo o planeta passa de 1,1 milhão.

Segundo o levantamento, o país com o maior número absoluto de casos continua sendo os Estados Unidos, com mais de 8,1 milhões. Em seguida, vem a Índia, com mais de 7,5 milhões. O Brasil aparece em terceiro lugar, com mais de 5,4 milhões de registros do coronavírus desde o início da pandemia. Os três países concentram mais da metade dos casos no mundo.

*Com informações G1

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