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Política

Marcha da Família reúne número baixo de simpatizantes

Há 50 anos, manifestação atraiu 100.000 pessoas só no Rio. Desta vez, apenas 2.000 em todas as cidades brasileiras

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Manifestantes durante a Marcha da Família, na Praça da República, em São Paulo

Há cinquenta anos, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade reuniu cerca de 100.000 pessoas na Cinelândia, no Rio de Janeiro, em movimento que culminou na derrubada do presidente João Goulart. A reedição da marcha, organizada neste sábado, em plena era das redes sociais, reuniu menos de 2.000 pessoas, somadas todas as praças onde aconteceu.

Em São Paulo, reuniram-se cerca de 1.000 pessoas que se concentraram na Praça da República e caminharam rumo à Praça da Sé. Sob um “espírito de coalizão” conservador, os manifestantes não tinham discurso coeso. Seminaristas, maçons, militares da reserva e seus parentes, e militantes contra a corrupção gritavam palavras de ordem pela “pátria, a fé e a família”, contra comunistas e contra o governo petista.

O grupo Ordem e Progresso, diretamente ligado à organização da passeata, queria mais: falava em “intervenção militar já”, ou seja, pedia um golpe de Estado, por não acreditar nas instituições brasileiras e nas eleições “realizadas com urnas eletrônicas”.

Essa não era uma bandeira unânime. A Frente Integralista Brasileira, por exemplo (uma associação de caráter ultra-nacionalista e herdeira ideológica da Ação Integralista Brasileira, fundada nos anos 30), afirmava que o pedido de intervenção militar era um erro.

A presidente Dilma Rousseff e o PT viram alvo na Marcha da Família

“A maior parte dos grupos patrióticos, conservadores e nacionalistas são contrários o evento pedir intervenção imediata. Se não fosse por essa ideia ter circulado na imprensa, nós teríamos dez vezes mais pessoas aqui. Nós queríamos fazer apenas uma homenagem ao movimento contra o João Goulart. A implantação da política marxista está mais branda e não vai gerar uma ruptura imediata. Não adianta querer preparar um golpe agora, ou melhor, um contragolpe”, disse Lucas de Carvalho, um dos líderes dos integralistas.

Com bandeiras do Brasil e outras de cor azul — “para fazer oposição ao vermelho-comunista” — uma tropa de jovens fez a escolta do protesto. Carecas e de coturno, eles se falavam por rádios e portavam lacres para prender os “adversários da esquerda”.

No trajeto, os “guardas” correram atrás de pessoas que gritavam contra a marcha – taxada de “reacionária”. Eles agrediram uma mulher na porta do Metrô República e dois manifestantes vestidos de mulher no Largo de São Francisco, no centro de São Paulo. Também se envolveram diretamente numa briga que terminou com quatro detidos na Sé. Entre eles, está um casal que foi agredido após gritar provocações aos manifestantes. A mulher, de orientação anarquista, tentou pichar uma faixa carregada na passeata. O homem brigou com um dos líderes de um grupo de direita – ele foi ferido na orelha. Outras duas pessoas foram detidas por arremessar uma lâmpada fluorescente e pedras na Polícia Militar. A reportagem não viu nenhum dos “guardas” da passeata ser revistado ou abordado por policiais militares.

 

Manifestante queima uma bandeira do Brasil, durante a Marcha Antifascista na Praça da Sé, em São Paulo

Havia um clima de tensão no evento, por causa de uma “Marcha Antifascista”, convocada na Praça da Sé simultaneamente à Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Da Sé, cerca de 1.000 punks, anarquistas, filiados a partidos políticos de esquerda e black blocs marcharam até a antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), na Região da Luz. As duas marchas não se cruzaram. Não houve incidentes no protesto convocado para se opor à reedição da Marcha da Família.

Outros Estados – Em Fortaleza, a Marcha da Família com Deus reuniu pouco mais de cinquenta pessoas, que acabaram ficando estacionadas em frente ao Forte de Nossa Senhora da Assunção, sede da 10ª Região Militar do Exército. A cem metros, na Praça dos Mártires, conhecida como Passeio Público, estava outro grupo, o da Marcha Antifascista, também com pouco mais de cinquenta pessoas. Por volta das 16 horas do sábado, homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Ceará fizeram uma barreira em frente à Catedral de Fortaleza para impedir que os dois grupos entrassem em confronto.

No Recife (PE), vinte pessoas foram às ruas. Números ainda menos expressivos foram registrados em Natal (RN), onde nove pessoas aderiram à marcha e em Florianópolis (SC), que reuniu cinco manifestantes com uma faixa onde lia-se “Fora PT. Incompetência, corrupção e impunidade”.

No Rio de janeiro, 150 manifestantes da Marcha da Família entraram em confronto com 50 integrantes de movimentos sociais. O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) compareceu e disse que defender a intervenção militar “descaracteriza o movimento”. Houve corre-corre e a polícia teve de intervir.

Mais protestos — Um ônibus foi incendiado na Avenida Jacu-Pêssego, na Zona Leste de São Paulo, que ficou interditada por causa de uma manifestação na tarde deste sábado. Um homem foi detido.

Representantes de sindicatos e movimentos populares realizaram, também na tarde de sábado uma passeata em São Paulo contra o dinheiro gasto na Copa do Mundo. O movimento “Na Copa vai ter luta” saiu  do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, no Tatuapé, com cerca de 2.000 manifestantes e bloqueou um trecho da Avenida Radial Leste por 30 minutos.

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Brasil

TCU ‘manda’ Pazuello explicar distribuição de cloroquina

Para o ministro Benjamin Zymler, do órgão, medicamento só poderia ser fornecido pelo SUS com autorização da Anvisa.

Redação PortalPE10

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Eduardo Pazuello – (Foto: Fabio Rodrigues Pozzembom/Agência Brasil)

O Ministério da Saúde tem cinco dias para prestar informações ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o uso de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) na distribuição de cloroquina e hidroxicloroquina para tratar pacientes diagnosticados com o novo coronavírus.

A ordem partiu do ministro Benjamin Zymler na última sexta-feira (22), depois que uma auditoria feita pela área técnica do tribunal apontou uma ilegalidade no custeio dos remédios para uso contra a Covid-19.

No despacho, o ministro do TCU afirma que os remédios só poderiam ter sido fornecidos pelo SUS para tratar a doença se houvesse autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou de autoridades sanitárias estrangeiras.

A prescrição dos fármacos contra a Covid-19 é rejeitada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

“Verifica-se não haver amparo legal para a utilização de recursos do SUS para o fornecimento desses medicamentos com essa finalidade”, aponta um trecho do ofício.

Na avaliação do ministro, os esclarecimentos devem ser prestados após uma “mudança do discurso” de Pazuello. O general afirmou que a pasta nunca orientou o ‘tratamento precoce’ e sim o ‘atendimento precoce’ dos pacientes.

– Nunca indiquei medicamentos a ninguém. Nunca autorizei o Ministério da Saúde a fazer protocolos indicando medicamentos – disse no último dia 18.

Segundo observou Zymler, a posição é ‘contraditória’ em relação a orientações e documentos emitidos pelo próprio Ministério da Saúde.

O ministro do TCU também pediu explicações sobre o aplicativo TrateCOV, lançado pelo governo federal para agilizar o diagnóstico da Covid-19. O tribunal quer a indicação dos responsáveis pela plataforma, a descrição do funcionamento, a ‘base médico-científica’ para uso e se está prevista sua reativação.

O aplicativo, que recomendava antibióticos, cloroquina e ivermectina até para bebês, foi tirado do ar na quinta-feira (21). Um dia depois, o Ministério Público Federal (MPF) abriu uma frente de apuração sobre o sistema.

*Com informações Estadão

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Cotidiano

Joe Biden toma posse como 46º presidente dos Estados Unidos

Kamala Harris fez o juramento e é a nova vice-presidente do país

Redação PortalPE10

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Joe Biden, presidente dos Estados Unidos – (Foto: Andrew Caballero-Reynolds/AFP)

O democrata Joe Biden tomou posse, nesta quarta-feira (20), como 46º presidente dos Estados Unidos, em cerimônia marcada pela pandemia e ausência de seu antecessor Donald Trump, que deixou Washington poucas horas antes para a Flórida.

Biden, de 78 anos, prestou juramento às 11h50 (hora de Washington; 13h50 em Brasília) perante o presidente da Suprema Corte, John Roberts, em cerimônia solene diante do Capitólio.

O ato foi marcado pela pandemia e pelas fortes medidas de segurança após a tomada do prédio do Congresso no último dia 6 de janeiro.

“Hoje é um dia de história e esperança. Hoje é o dia dos Estados Unidos. A democracia prevaleceu”, disse Biden em seu discurso de posse, no qual pediu a “unidade” do país e prometeu ser o presidente de todos os americanos.

No discurso, o democrata ainda afirmou que irá defender a constituição, a democraria e os Estados Unidos. “Darei a vocês tudo o que posso a serviço do povo. Juntos, construiremos uma história de luz e não de sombras, de decência, de dignidade e de amor”, disse Biden.

Os Estados Unidos enfrentam “a ascensão do extremismo político, a supremacia branca, o terrorismo doméstico, que é algo que devemos enfrentar e que vamos derrotar”, disse Biden

Pouco antes do juramento de Biden, Kamala Harris foi empossada como a primeira vice-presidente dos Estados Unidos, tornando-se também a primeira pessoa negra de origem indiana a ocupar o cargo.

Harris, de 56 anos, prestou juramento com uma mão na Bíblia perante a progressista juíza da Suprema Corte Gloria Sotomayor, que foi a primeira latina a ser eleita magistrada do tribunal superior.

Kamala Harris, vice-presidente dos Estados Unidos (Foto: Saul Loeb/AFP)

Entre os juramentos, houve a apresentação das cantoras Lady Gaga, que cantou o hino dos Estados Unidos, e Jennifer Lopez.

*Com informações AFP

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Política

Eleitor que não votou no primeiro turno tem até quinta-feira para justificar voto

Justificativa para não votar deve ser feita pelo aplicativo e-Título. Para quem faltou no segundo turno, prazo vence em 28 de janeiro.

PortalPE10 com informações G1

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(Foto: Aldo V. Silva / Arquivo JCS)

(Foto: Aldo V. Silva / Arquivo JCS)

Os eleitores que não votaram no primeiro turno das Eleições 2020 têm até 14 de janeiro para justificar a ausência para a Justiça Eleitoral.

Neste ano, por conta da pandemia, a justificativa deve ser feita pelo aplicativo e-Título ou por meio do Sistema Justifica. No caso de ausência no segundo turno, o prazo expira em 28 de janeiro.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), caso o eleitor não tenha smartphone ou acesso à internet, o processo pode ser feito, excepcionalmente, em qualquer seção eleitoral.

É possível justificar ausência em qualquer local de votação do país no dia da eleição e em postos da Justiça Eleitoral até 60 dias após cada turno. Caso o eleitor esteja fora do país, o cidadão tem até 30 dias contados da data de retorno ao Brasil.

A justificativa é válida somente para o turno ao qual o eleitor não compareceu. Assim, se ele deixou de votar no 1º e no 2º turno, terá que justificar a ausência em ambos, separadamente.

Prazos para justificativa

1º turno: 14 de janeiro.
2º turno: 28 de janeiro.
Download do e-Título
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Multa e consequências

O eleitor que não justificar a ausência dentro do prazo estipulado pelo TSE terá que pagar multa para regularizar a situação. A multa é de R$ 3,50 por turno.

Enquanto estiver em débito com a Justiça Eleitoral, ele não pode, por exemplo, tirar ou renovar passaporte, receber salário ou proventos de função em emprego público, prestar concurso público e renovar matrícula em estabelecimento de ensino oficial ou fiscalizado pelo governo – entre outras consequências.

Aquele eleitor que não votar por três eleições seguidas, não justificar nem quitar a multa devida terá sua inscrição cancelada. A regra não vale para eleitores que não são obrigados a votar, como analfabetos, maiores de 16 e menores de 18, e maiores de 70 anos.

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