Nos siga nas redes sociais

Brasil

O Primeiro manifestante detido pela Polícia

Eu sei que fui violento, que devolvi granadas, que provoquei o choque, que soquei, mordi e chutei e cuspi.

Avatar

Publicado

Rafael Marques  O professor de inglês e assistente de help desk Rafael Marques Lusvarghi, de 29 anos – primeiro manifestante a ser detido pela Polícia Militar no ato de quinta-feira, 12, na zona leste de São Paulo – voltou para casa com duas marcas de tiros de borracha no peito, duas na perna, escoriações nas mãos, braços e costas, além de uma irritação nos olhos que permanecia até esta sexta. A ardência é resultado do spray de pimenta.
  Por causa da repercussão das imagens, ele perdeu nesta sexta seus dois empregos – em uma escola e em uma multinacional do setor de tecnologia.

  Lusvarghi já foi da PM de São Paulo e do Pará, teve passagens pela Legião Estrangeira, da França, e pelas Farc, na Colômbia. Questionado sobre o que achou da Tropa de Choque, diz que viu coerência na ação. “Eu sei que fui violento, que devolvi granadas, que provoquei o choque, que soquei, mordi e chutei e cuspi. Mas do meu ponto de vista, não há problemas na luta.
  Meu respeito e admiração pelas pessoas que vestem uma farda no Brasil, ainda mais por já ter sido um deles, continuam inalterado”, disse. “Defendo a PM, sim, mas quem fez a primeira agressão foi a polícia com granada de som e efeito moral, dispersando a multidão. Usei a força só depois que fui atacado.”

Essa foi a primeira vez que Lusvarghi participou de uma manifestação contra a Copa do Mundo. Ele veio de Indaiatuba, interior de São Paulo, onde mora sozinho, depois de saber do ato pela internet.

Ainda pela manhã, quando a polícia começou a dispersar os manifestantes que estavam na frente da Estação Carrão do Metrô, o professor provocou os policiais. E, enquanto todos corriam das bombas e tiros, ele ficou desafiando, sem camisa, a Tropa de Choque. Acabou imobilizado, arrastado e preso.

O próprio comandante-geral da PM, Benedito Roberto Meira, disse nesta sexta que viu exagero na ação, mas Lusvarghi, apesar dos ferimentos, criticou o comandante. “É um discurso de quem quer tirar sua responsabilidade, a tropa seguiu sua ordem”, diz ele. “Depois que me detiveram, foram muito respeitosos comigo.” Ele foi levado à delegacia, mas por volta da hora do almoço já estava liberado.  

Rússia

Lusvarghi demonstra um fascínio pelo tema de segurança militar, guerra, armas e cavalaria. Ele conta que foi da PM paulista por dois anos, a partir de 2002. Depois foi para a Academia da PM do Pará, onde ficou até 2009. Também compôs a Legião Estrangeira, famosa unidade militar francesa. As fotos nos seus dois perfis do Facebook certificam o histórico.

Ambas as páginas estão em russo. Lusvarghi se diz um apaixonado pela cultura e história russa – várias fotos fazem menção ao comunismo, a Josef Stalin e outros ícones da Revolução de 1917. Ele morou na Rússia entre 2010 e este ano. “Meu plano era entrar no exército russo, mas não fui aceito por causa da nacionalidade. Aí, fiquei e estudei”, conta ele, que cursou Administração na cidade de Kursk, localizada perto da fronteira com a Ucrânia. Antes de voltar para o Brasil, neste ano, foi conhecer as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). “Fiquei um mês e meio, mas não gostei muito.”

Apesar das escoriações e de ter perdido os empregos, Lusvarghi diz que está feliz com o que aconteceu. “Fiquei surpreso com a repercussão, me sinto extremamente feliz, orgulhoso e honrado de ter minha imagem vinculada a uma causa nobre, que não é somente contra a Copa, mas contra toda essa palhaçada que vem acontecendo em nosso País desde antes de eu nascer”, disse.

Depois de ser liberado pela polícia, ele ficou no ato até o fim do dia, mas não se envolveu de novo em nenhum conflito. Lusvarghi já se prepara para participar do próximo protesto que houver na cidade de São Paulo. “Eu vejo que era hora de uma revolução como foi a Revolução de 1917 na Rússia”, diz. “Na próxima manifestação, estarei presente e ativo novamente. Só preciso me recuperar um pouco para estar 100%.”  

Fonte: Estadão 

Publicidade
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Brasil

Honda suspende produção em Manaus por pandemia e falta de insumos

Com novo pico de casos de contaminação por Covid-19, Manaus tem vivido um cenário de recorde de hospitalizações e escassez de oxigênio para os internados.

Redação PortalPE10

Publicado

Moto da Honda – (Foto: Divulgação)

A Honda Motos anuncia nesta sexta-feira (22) a suspensão de sua linha de produção em Manaus por 10 dias, de 25 de janeiro a 3 de fevereiro. A paralisação ocorre, segundo a empresa, por causa da falta de insumos para a produção e devido ao agravamento da pandemia no estado do Amazonas.

Em comunicado, a montadora afirma que os funcionários das áreas produtivas e administrativas entrarão em férias coletivas neste período. Permanecerá trabalhando um “contigente mínimo” de pessoas para realizar atividades essenciais.

Com novo pico de casos de contaminação por Covid-19, Manaus tem vivido um cenário de recorde de hospitalizações e escassez de oxigênio para os internados.

Em nota, a Honda informou que doou 454 cilindros de oxigênio e 20 mil máscaras para o Estado do Amazonas.

O desabastecimento das cadeias produtivas é um problema que tem afetado a indústria nacional durante a pandemia do novo coronavírus. De acordo com uma Sondagem da CNI (Confederação Nacional da Indústria) realizada em outubro, 68% das indústrias consultadas estavam com dificuldades para fazer estoques, obter insumos e matérias-primas.

Segundo o estudo, que ouviu 27 setores das indústrias de transformação e extrativa, 68% das indústrias relataram dificuldades para obter matérias-primas no mercado doméstico enquanto 56% das companhias que utilizam insumos importados com frequência estavam com dificuldades de aquisição no mercado internacional.

A pesquisa mostra, ainda, que 44% das empresas consultadas estavam com problemas para atender aos clientes. As principais razões para a dificuldade de atendimento foram falta de estoques, demanda maior que a capacidade de produção e incapacidade de aumentar a produção.

A interrupção temporária da produção da montadora ocorre 11 dias após a Ford fechar três fábricas no Brasil. Outra baixa sofrida pelo setor automotivo foi o anúncio da paralisação de produção da Mercedes-Benz no Brasil em dezembro.

*Com informações FolhaPress

Continuar Lendo

Brasil

À frente do combate à Covid-19, presidente da Vigilância Sanitária morre vítima da doença em Manaus

Desde o início da pandemia, 6.889 pessoas já morreram vítimas da Covid-19 no Amazonas. Em Manaus, 89 pessoas que não resistiram à doença foram enterradas na quinta-feira (21).

Redação PortalPE10

Publicado

Diretora-presidente da FSV do Amazonas, Rosemary Costa Pinto – (Foto: Futura Press/Folhapress)

A diretora-presidente da FSV (Fundação de Vigilância em Saúde) do Amazonas, Rosemary Costa Pinto, 61, morreu na tarde dessa sexta-feira (22) em Manaus (AM), vítima de complicações da Covid-19.

Ela era farmacêutica bioquímica formada pela Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz e especialista em informação e informática em saúde pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas).

Sanitarista e epidemiologista, foi uma das fundadoras da Fundação de Vigilância em Saúde no Amazonas, onde estava havia 25 anos, com farta experiência no enfrentamento a vários tipos de surtos.

Rosemary recebeu o diagnóstico para a doença no dia 5 de janeiro, começou o tratamento em casa, mas precisou ser internada no dia 11. O quadro complicou e ela não resistiu.

Ao longo da pandemia, a profissional era vista como uma “bússola” do Amazonas por causa da capacidade de interpretar os dados do coronavírus, analisar e propor medidas de enfrentamento à pandemia.

“Era a palavra que nos orientava e que tinha o respeito de todos que a ouviam”, disse o governador Wilson Lima (PSC).

“Incansavelmente, esteve reunida, diariamente, com a equipe de linha de frente da instituição, durante toda a pandemia, guiando, estudando e articulando medidas que apontassem o caminho a ser traçado pelo Amazonas no combate à pandemia”, afirma nota divulgada pela FSV.

No final do ano passado, ela recebeu homenagens pelo trabalho. Uma delas foi a medalha da Ordem do Mérito do governo do Amazonas.

O Amazonas decretou luto oficial de três dias no estado. “A mensagem, o compromisso e o respeito ficam. Na luta contra a Covid-19, Rosemary foi incansável, com uma atuação sempre pautada pela busca da melhoria da qualidade de vida da população”, diz nota divulgada pelo governo.

Desde o início da pandemia, 6.889 pessoas já morreram vítimas da Covid-19 no Amazonas. Em Manaus, 89 pessoas que não resistiram à doença foram enterradas na quinta-feira (21).

A região enfrenta o colapso na rede hospitalar e um caos provocado pela falta de oxigênio. A crise começou em Manaus e depois se espalhou para outras cidades do Norte do país.

*Com informações FolhaPress

Continuar Lendo

Brasil

Após criticar Coronavac, Secretário de Saúde fura fila no Amapá

O caso entrou para a lista de denúncias de autoridades que furam a fila para receber as primeiras doses em todo o país.

Redação PortalPE10

Publicado

Segundo informações do perfil do próprio secretário, ele não é da área de saúde, mas formado em Comunicação e Marketing (Foto: Reprodução)

Circula pelas redes sociais uma foto do secretário de Saúde de Serra do Navio (AP), Randolph Antônio Pinheiro da Silva, se vacinando contra a Covid-19 na primeira fase da campanha de imunização do município. O caso entrou para a lista de denúncias de autoridades que furam a fila para receber as primeiras doses em todo o país.

Conhecido como Randolph Scooth, o secretário recebeu críticas nas redes sociais, uma vez que o primeiro lote de vacinas que chegou à cidade conta com apenas 89 doses, para uma população de 5,4 mil habitantes. Além disso, o político era conhecido por criticar o desenvolvimento da Coronavac publicamente.

“O doente mental quer obrigar nosso povo a usar vacina chinesa”, escreveu na legenda de uma foto em referência ao governador de São Paulo, João Dória (PSDB). Na imagem, há ainda uma crítica ao não uso da cloroquina no tratamento para o novo coronavírus, mesmo que a eficácia do medicamento contra a doença não tenha sido comprovada.

Em outro texto, publicado no mesmo dia, ele argumenta contra o uso da Coronavac: “não somos cobaias”.

Sob investigação

Na quinta-feira (21), o Ministério Público do Amapá (MPAP) abriu inquérito para apurar a responsabilidade de Randolph Scooth no caso. O Plano Nacional de Vacinação prevê que sejam imunizados nesta etapa os profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate à pandemia e os idosos asilados.

“É notória a insuficiência das doses da vacina da Covid- 19 para imunização da população como um todo e por isso as autoridades públicas instituíram a ordem de prioridades. Caso sejam constatados os fatos noticiados, o Ministério Público velará pela restauração da legalidade e responsabilização dos envolvidos”, diz a nota divulgada pela Promotoria de Justiça de Pedra Branca do Amapari.

Pelas redes sociais, Randolph Scooth não se manifestou sobre as críticas em relação à vacinação. A última postagem compartilhada por ele foi na manhã desta sexta-feira (22), com um texto que diz: “Afasta deste lugar toda inveja!”.

O Correio procurou o secretário, mas até a publicação desta reportagem não obteve resposta. O espaço segue aberto, caso ele decida se pronunciar futuramente.

*Com informações Diário de Pernambuco

Continuar Lendo

Mais Lidas

Copyright © 2013 - 2020 PortalPE10. Todos os direitos reservados.