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Setor gesseiro do Araripe teme chegada da Transnordestina

Empresários acreditam que ferrovia pode falir pequenas indústrias

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A Ferrovia Transnordestina vai cortar 34 municípios de Pernambuco. Os atrasos nas obras, que tinham previsão de ser concluídas em 2010 e foram adiadas para 2016, são apontados como entraves para o desenvolvimento do estado, em especial do polo gesseiro da região do Sertão do Araripe. Porém, se a vinda da ferrovia de Araripina, no Sertão, até o Porto de Suape, no Litoral Sul, é vista com otimismo pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Márcio Stefanni, os empresários do setor gesseiro encaram com preocupação a chegada dos trens – mesmo que daqui a alguns anos, devido aos atrasos.

Atualmente os trilhos chegam até Parnamirim e os canteiros de obras estão abandonados, com a vegetação começando a tomar conta do entorno em alguns pontos. Mesmo assim, no Araripe, as obras da Transnordestina são encaradas como um sinal de alerta. A expectativa de vencer o gargalo do transporte vem sendo substituída pela desconfiança e preocupação de que os trens sirvam para levar a matéria-prima embora, prejudicando mais que ajudando as indústrias da região.

Atualmente, a região é a principal produtora de gesso do país, concentrando aproximadamente 80% das minas brasileiras. De acordo com informações do Sebrae, o polo conta com aproximadamente 700 empresas, distribuídas pelos municípios de Araripina, Trindade, Ipubi, Ouricuri e Bodocó, gerando 12 mil empregos diretos. O Sindicato da Indústria do Gesso do Estado de Pernambuco (Sindusgesso) é uma das vozes alarmadas. “A ferrovia hoje é uma ameaça. Pode transformar isso aqui em um grande buraco. Podem vir buscar gipsita para produzir o gesso nas capitais”, avalia o diretor, Hildelberto Alencar.

A preocupação, explica, está ligada à dificuldade enfrentada atualmente no polo, relacionada à matriz energética para transformar a gipsita extraída pelas mineradoras em gesso e, depois, em placas e outros produtos. “A gente percebe que a ferrovia chega tarde. Não é que ela não possa contribuir, mas veio com uma visão deslocada do gesso e não vai chegar com a compensação de matriz energética e matéria-prima do setor. Ela é importante, mas não como era no início, que era a solução dos nossos problemas”, aponta Alencar.

As últimas fábricas de grande porte do setor gesseiro, explica, não foram mais instaladas no Sertão do Araripe, mas sim em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. “As grandes indústrias não podem esperar a ferrovia ficar pronta. A região não consome gesso, quem consome gesso são os grandes centros. Hoje, 95% do setor [no Araripe] dependem da lenha [como matriz energética], o que não é de forma alguma sustentável”, explica Alencar, que também é empresário e não instalou suas últimas fábricas na região do Araripe.

Trabalhando há 20 anos no setor gesseiro, Assis Alencar Júnior é dono de uma calcinadora – fábrica responsável por transformar a gipsita em gesso através de queima – em Ouricuri e admite que não consegue enxergar benefícios imediatos com a ferrovia. “Eu pego a gipsita in natura, levo para minha fábrica, beneficio e transformo em gesso. A nossa dificuldade aqui é a matriz energética, não tem gás [a um preço competitivo]. Pode haver essa logística para transportar esse minério para ser beneficiado em outro lugar. Isso gera uma grande preocupação”, aponta.

A Companhia Pernambucana de Gás (Copergás) explicou, por meio de nota, que leva o gás natural até a região do Araripe em cilindros especiais acondicionados em carretas apropriadas. O gasoduto atualmente vai até a cidade de Caruaru e a companhia afirma que se prepara para licitar a construção de um novo trecho, chegando até Belo Jardim e Arcoverde, ambas no Sertão. Há também um projeto para a estação de Gás Natural Liquefeito (GNL), que permitiria levar o gás natural para Araripina na forma líquida, mas não há informações sobre uma possível ampliação do gasoduto até a cidade.

O secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, Márcio Stefanni, discorda da avaliação dos empresários. Além de escoar produtos do Nordeste, como o minério de ferro e a soja do Piauí, os grãos da Bahia e o gesso do Araripe, no Sertão pernambucano, a ferrovia pode auxiliar na questão da matriz energética ao levar de trem o gás liquefeito. “O estado tem procurado a iniciativa privada para colocar um terminal de regaseificação em Suape. O trem que pode levar a gispsita, pode levar gás. O que é caro de caminhão, se torna mais barato levado no trem. O trem pode levar essa matriz energética”, avalia o secretário.

Mas a outra desconfiança do setor está justamente na viabilidade real do transporte. O frete através de caminhões da região do Araripe até Suape custa, em média, R$ 85 por tonelada. Com a Transnordestina, os produtores vão ter que pagar o frete de pequena distância até a ferrovia, o transporte ferroviário, além do transporte seguinte para chegar aos produtores – fora o serviço de carregar e descarregar os veículos, que é chamado de tombo de redespacho. “Então, a gente tem três tombos de redespacho. Cada tombo desse você não faz por menos de R$ 20. Para ser viável, a ferrovia teria que custar R$ 5, e a gente sabe que não vai. Deve ser em torno de R$ 50”, calcula Alencar.

 

Para evitar que as indústrias deixem o polo gesseiro, o secretário lembra que os empresários têm incentivo do governo, com cotas menores de ICMS. “Acho que quem resolve essas questões [de instalação de fábricas] é a dinâmica do mercado. Ele dita onde quer ficar. O estado de Pernambuco alterou as políticas fiscais. Quem está em Araripina terá uma política de ICMS menor que em outros locais [no estado]”, explica.

 

 

 

 

 

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Cotidiano

Morre Lee Kun-hee, presidente da Samsung

De acordo com comunicado, Lee, que já estava hospitalizado em Seul, passou os últimos momentos ao lado dos familiares, incluindo seu filho Lee Jae-yong — que, com a doença do pai, lidera a Samsung.

Marcos Philipe Passos

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(Foto: Reprodução)

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O presidente da empesa de tecnologia Samsung, Lee Kun-hee, morreu aos 78 anos neste domingo (25) (horário local), informou a companhia da Coreia do Sul.

De acordo com comunicado, Lee, que já estava hospitalizado em Seul, passou os últimos momentos ao lado dos familiares, incluindo seu filho Lee Jae-yong — que, com a doença do pai, lidera a Samsung.

Não se sabe a causa da morte. Ele foi hospitalizado em Seul em maio de 2014, quando sofreu ataque cardíaco. Lee, então, recebeu um procedimento para evitar a geração de material tóxico nos vasos sanguíneos ao desacelerar o metabolismo. Na década de 1990, o magnata se recuperou de um câncer pulmonar.

“Todos nós na Samsung vamos celebrar sua memória e somos gratos pela jornada que compartilhamos com ele”, diz o texto.

Crescimento da empresa e problemas na Justiça

Nascido em 1942, Lee ajudou a transformar a pequena empresa de seu pai, Lee Byung-chull, no maior conglomerado sul-coreano. Desde que assumiu a liderança da companhia em 1987, ele acompanhou a transição da Samsung como fabricante de televisores rumo à maior produtora de smartphones e chips de memória.

Com isso, o magnata se tornou o homem mais rico da Coreia do Sul, com fortuna estimada em US$ 20,7 bilhões, segundo a Bloomberg.

Lee também se envolveu em problemas com a Justiça envolvendo pagamentos de propinas a ex-presidentes. Um deles, Lee Myung-bak, que governou a Coreia do Sul entre 2008 e 2013, foi condenado em 2018 a 15 anos de prisão por aceitar US$ 5,4 milhões de propinas da Samsung para conceder perdão ao chefe da empresa por sonegação de impostos.

Um dos filhos de Lee Kun-hee, Lee Jae-yong tomou o controle da empresa sem que o pai deixasse a presidência por causa da doença e também se envolveu em problemas na Justiça. O herdeiro foi condenado em 2017 a 5 anos de prisão por pagamento de propinas a outra ex-presidente, Park Geun-hye, que sofreu impeachment. Ele deixou a prisão no ano seguinte.

As relações de Lee com o poder da Coreia do Sul transformaram a Samsung em uma das maiores impulsionadoras do desenvolvimento econômico do país asiático: sozinha, a empresa de tecnologia responde por 20% do capital na maior bolsa de valores sul-coreana.

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Brasil

Mega-Sena, concurso 2.312: ninguém acerta as seis dezenas e prêmio acumula em R$ 45 milhões

Veja também os números sorteados de mais cinco loterias.

Marcos Philipe Passos

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Mega-Sena – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ninguém acertou as seis dezenas do concurso 2.312 da Mega Sena sorteados neste sábado (24) no Espaço Loterias Caixa, no terminal Rodoviário Tietê, na cidade de São Paulo. O prêmio acumulou, e o valor previsto para quem acertar as seis dezenas no próximo sorteio subiu para R$ 45 milhões. Veja também os números sorteados de mais cinco loterias.

A Mega-Semana da Sorte ofereceu uma chance extra ao apostador, com três sorteios: o primeiro realizado na terça-feira (20), o segundo, na quinta-feira (22), e o último ocorreu neste sábado (24).

Mega-Sena

Os número sorteados foram: 03 – 27 – 39 – 46 – 47 – 60.

A Quina teve 43 apostas ganhadoras; cada uma receberá R$ 71.554,38.

A Quadra teve 3.773 apostas ganhadoras; cada uma levará R$ 1.164,98.

Quina

Os números sorteados foram: 27 – 32 – 44 – 46 – 49.

Timemania:

Os números sorteados da Timemania foram: 01, 10, 14, 25, 47, 48, 50.

Time do coração: 76 (Vila Nova – GO)

Lotofácil:

Os números sorteados da Lotofácil foram: 21-05-17-19-09-13-11-12-22-06-07-14-08-04-10.

Dupla Sena

Número do 1º Sorteio: 22 – 24 – 30 – 32 – 37 – 39.

Números do 2º Sorteio: 06 – 09 – 28 – 29 – 40 – 47.

Dia de Sorte

Os números sorteados foram: 05 – 10 – 21 – 25 – 26 – 29 – 31.

Mês da sorte: 04 (abril)

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Em comício, Obama diz que Casa Branca errou na gestão da pandemia

“Essa pandemia teria sido difícil para qualquer presidente administrar”, mas “a ideia de que, de alguma forma, a Casa Branca fez algo além de arruinar tudo é tola”, continuou.

Marcos Philipe Passos

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(Foto: Fabrizio Bensch/Reuters)

(Foto: Fabrizio Bensch/Reuters)

O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, atacou neste sábado (24) o atual presidente Donald Trump por sua gestão da pandemia da covid-19, durante um evento de campanha em apoio ao candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden.

“Oito meses após o início desta pandemia, o número de novos casos continua batendo recordes”, disse o ex-presidente durante um comício democrata realizado em Miami, na Flórida, dez dias antes das eleições de 3 de novembro.

“Essa pandemia teria sido difícil para qualquer presidente administrar”, mas “a ideia de que, de alguma forma, a Casa Branca fez algo além de arruinar tudo é tola”, continuou.

Diante de um público que chegou de carro para um comício realizado na modalidade “drive-in”, Obama, o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, criticou Trump por não ter um plano de combate à pandemia.

“Donald Trump não vai nos proteger agora, de improviso. Ele sequer é capaz de tomar as precauções mais elementares para se proteger”, disse ironicamente, três semanas após a hospitalização do presidente republicano, que contraiu o vírus.

“Ele sequer reconhece que há um problema”, continuou Obama, em resposta às declarações feitas neste sábado por Trump, que durante um comício na Carolina do Norte previu que, no dia seguinte à eleição, não se falará mais sobre a pandemia.

Este é o segundo ato em poucos dias em que Obama participa em apoio ao seu ex-vice-presidente.

Em Miami, Obama pediu a mobilização massiva do eleitorado democrata da Flórida, um estado-chave que o apoiou em 2008 e 2012, mas no qual Trump venceu em 2016.

“Você me escolheu duas vezes, Flórida. Agora peço que escolha Joe”, concluiu.

*Com informações AFP

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