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Três visões sobre o presente e o futuro do Pantanal

Para entender como é possível prevenir novos desastres, a AFP ouviu três pessoas que atuam na região: um produtor agropecuário, um representante de uma ONG e uma acadêmica especialista em áreas alagáveis

Lucas Passos

Publicado

© Mauro PIMENTEL   Vista área de área incendiada no Pantanal

Entre janeiro e agosto de 2020, incêndios que saíram de controle devastaram mais de 12% do Pantanal, a maior área úmida tropical do planeta e o bioma brasileiro proporcionalmente mais preservado, localizado ao sul da Amazônia.

Para entender como é possível prevenir novos desastres, a AFP ouviu três pessoas que atuam na região: um produtor agropecuário, um representante de uma ONG e uma acadêmica especialista em áreas alagáveis.

© Mauro PIMENTEL   Voluntário combate incêndio no Pantanal, em 13 de setembro de 2020

Os três participaram na semana passada de uma reunião entre moradores, legisladores e autoridades perto de Poconé (Mato Grosso). Uma iniciativa de convivência nem sempre fácil, em um momento em que o posicionamento do presidente Jair Bolsonaro em favor da abertura de áreas protegidas para atividades agropecuárias é criticado dentro e fora do Brasil.

© Carlos FABAL   O Pantanal vem sendo destruído pelo fogo. A AFP ouviu pessoas envolvidas com o presente e o futuro da regiãoe que tem visões opostas: um produtor agrícola, um representante de ONG e uma especialista em áreas inundáveis.

– Mais liberdade para o ‘homem pantaneiro’ –

Para João Gaiva, agrônomo e pecuarista em Mato Grosso, os incêndios acontecem, porque “engessaram o homem pantaneiro: não deixam que ele limpe a terra, com a ideia de que tirar o homem daqui é a solução”.

“Tirando a gente daqui, a grama não para de crescer e se não houver animais para pastar, o fogo vai consumi-la”, afirma.

“O homem pantaneiro é o guardião do Pantanal. Ele sempre viveu e produziu aqui, ele é a grande solução, podemos produzir animais com um selo de origem de qualidade”, diz Gaiva, que defende dois projetos polêmicos por seus impactos ambientais: a instalação de um hidrovia do rio Paraguai-Paraná e a pavimentação da rota Transpantanera para reduzir os custos de produção e transporte nesta área de difícil acesso.

“Precisamos produzir alimentos bons e baratos. A solução é dar mais liberdade ao homem pantaneiro, para que o bioma seja administrado de forma sustentável. Não adianta bloquear uma parte da terra e transformá-la em reserva legal, que se torna um abismo, uma bomba-relógio”, critica.

“O fogo sempre existiu e continuará existindo”, defende. “Isso não é drama”, diz ele sobre os incêndios.

“Ele veio para nos mostrar que o caminho certo é a presença do homem aqui”, defende.

– Debater sem radicalismos –

Leonardo Gomes é diretor de relações institucionais do Instituto SOS Pantanal, ONG que promove o diálogo e diversos projetos no bioma.

“O manejo do fogo no Pantanal é algo cultural. O homem pantaneiro aprendeu a usar o fogo, seja para renovar o solo, ou para iniciar um novo plantio para o gado. O que precisamos entender é como fazer esse manejo corretamente”, explica à AFP.

“É preciso assessorar os produtores, não se trata de apontar para eles, ou culpá-los”, acrescenta Gomes, que não acredita que afrouxar a regulamentação ambiental seja a solução e propõe discutir comunitariamente o manejo do fogo.

Ele destaca a necessidade de prevenir os incêndios ilegais (realizados sem autorização, ou nos momentos em que são expressamente proibidos) e montar brigadas comunitárias de resposta rápida para combater os focos quando eles surgirem.

“O bioma Pantanal está tão bem conservado porque esses atores locais aprenderam a conviver. Em um momento de radicalismo como o que estamos vivendo, precisamos sentar e debater”, defende.

“Não se trata de limitar a produção, mas de estimular atividades econômicas que respeitem o meio ambiente”, sugere.

– Aliar economia e conservação –

Catia Nunes da Cunha, pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas, concorda que não é possível culpar um grupo específico pelos incêndios, mas que o fogo não pode ser atribuído apenas a causas naturais.

Fatores humanos se somam ao atual ciclo de seca extrema na região, como o manejo descuidado de algumas queimadas, ou a degradação da região onde se localizam as nascentes dos rios que banham o Pantanal.

“Está acontecendo muito desmatamento lá, e isso afeta a disponibilidade de água aqui”, explica.

Para a ambientalista, é preciso entender que a resposta está no equilíbrio: “Não se trata de tirar o homem daqui nem de favorecê-lo modificando o sistema [natural]. É preciso trabalhar em harmonia” e respeitar os limites do meio ambiente.

“É necessária uma gestão sensata. Não se pode tentar aumentar a produtividade da pesca e da pecuária sem limites. Se esses limites forem ultrapassados, o sistema se altera, e não podemos fazer isso com o Pantanal”, alerta.

“É um ecossistema caracterizado pela exuberância”, com enorme potencial, como tem sido demonstrado pelo desenvolvimento do ecoturismo ao longo da rota Transpantanera nos últimos dez anos, explica.

“Somente sentando em volta da mesma mesa, ouvindo uns aos outros, podemos chegar a um acordo para que a conservação e a economia estejam no mesmo nível de interesse e preocupação. Aí estaremos falando a mesma língua”, completou.

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Pernambuco registra 1.702 casos e 18 mortes pela Covid-19 nas últimas 24h

Redação PortalPE10

Publicado

(Foto: Geraldo Bubniak/AEN)

(Foto: Geraldo Bubniak/AEN)

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) registrou, nesta sexta-feira (15/01), 1.702 casos da Covid-19. Entre os confirmados hoje, 76 (4%) são casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 1.626 (96%) são leves. Agora, Pernambuco totaliza 239.155 casos confirmados da doença, sendo 30.177 graves e 208.978 leves.

Também foram confirmados 18 óbitos, ocorridos entre os dias 11/11/2020 e 13/01/2021. Com isso, o Estado totaliza 9.964 mortes pela Covid-19. Os detalhes epidemiológicos serão repassados ao longo do dia pela Secretaria Estadual de Saúde.

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Cotidiano

Celpe doará refrigeradores para armazenar vacinas contra covid-19 a municípios pernambucanos

Diversas cidades também serão beneficiadas.

Redação PortalPE10

Publicado

A Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) doará refrigeradores científicos para que 136 municípios de Pernambuco possam armazenar vacinas contra covid-19. 296 cidades na área de concessão da Coelba (BA), 95 no Rio Grande do Norte (Cosern) e 131 em São Paulo (Elektro), também serão beneficiadas.

“Neste momento em que a campanha de vacinação é a saída para conter a pandemia de Covid-19, apoiamos os municípios mais necessitados das nossas áreas de concessão, que precisam dos refrigeradores adequados para a vacinação da população com segurança”, disse o CEO da Neoenergia, Mario Ruiz-Tagle.

A companhia terá a parceria da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) no estado.

De acordo com a Celpe, os refrigeradores são de fabricação nacional possuem temperatura programável e constante entre 2ºC e 8ºC. Eles também têm sensores e um sistema de alarme remoto a distância. Além disso, as câmaras têm capacidade de 280 litros e pode armazenar aproximadamente 18 mil doses de 0,5 ml.

Refrigeradores antigos devem ser entregues
Os governos municipais precisam entregar refrigeradores antigos para as distribuidoras da Neoenergia, nas UTDs (Unidade Territorial de Distribuição) das empresas para poder receber os novos equipamentos.

*Com informações Blog de Jamildo

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Cotidiano

Arma utilizada em homicídio de PRF é apreendida na Zona Oeste do Recife

Há suspeita de que revólver tenha sido utilizado em outros crimes.

Redação PortalPE10

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(Foto: Divulgação/PRF)

Um revólver calibre .38 utilizado na morte do PRF Eduardo de Souza foi apreendido na quinta-feira (14), em um terreno baldio no Bairro do Coqueiral, na Zona Oeste do Recife. A arma foi encontrada a partir de informações de dois homens, que foram detidos durante uma ação da Delegacia de Polícia Civil de Casa Amarela, do Departamento de Repressão ao Narcotráfico (DENARC) e Polícia Penal (GISO), com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Os suspeitos pela morte do policial declararam que a arma havia sido jogada no açude de Apipucos, mas o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) não acreditava nessa hipótese. Após um intenso trabalho de inteligência das Forças de Segurança Pública, entre elas a Polícia Militar de Pernambuco(PMPE), outros elementos que colaboram para o inquérito foram encontrados.

.:: Leia também: Morte de policial rodoviário federal no Recife foi provocada por desentendimento em bar, diz Polícia Civil

.:: Leia também: Dois homens são presos em flagrante por suspeita de assassinato de policial rodoviário federal no Recife

A arma não estava municiada e existe a suspeita de que pode ter sido utilizada na prática de outros crimes. O revólver foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Casa Amarela e será entregue ao DHPP, que está à frente da investigação.

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